Cuenta mi padre que foi em 1640 que Portugal e Espanha passaram a ser dois países diferentes, e deixa transparecer um certo orgulho quando conta como os portugueses puseram os espanhóis daqui para fora ainda que logo depois acrescente, e foi o pior que nós fizemos, se fossemos parte de Espanha as coisas seriam muito diferentes, e descreva a lista das benesses jurídicas, geográficas, relacionais, cívicas e etcs de que dispõem nuestros hermanos y hermanas, obviamente contrastadas com as nossas. Eu, pela minha parte, nunca dediquei muito tempo a pensar se seria melhor ou pior que agora voltássemos a ser um só território. Não sinto Espanha como um país rival, considero que é um país interessante para viver, não me desagrada a ideia, e até acho que podia ser bom sermos um só país que pudesse fazer mais força nas decisões da união europeia, mas não dedico mais que uma breve conversa ao assunto.
Ainda que a palavra nem sempre tenha uma conotação muito positiva, acho que sou nacionalista no sentido em que identifico esse território a que chamamos Portugal como sendo o meu país, com uma série de características específicas, com pessoas que partilham espaços, língua, segundos sentidos, expressões, historia, músicas, enfim tudo aquilo que se partilha num país.
Tenho uma particular sensibilidade e carinho pelo meu país de nascimento e de 30 anos de vida, e este carinho parece acentuar-se quando vivo fora de Portugal, por exemplo, só passei a adorar Madredeus 3 anos depois de viver fora do país.
Mas precisamente por um país ser tudo isto, o meu nacionalismo tem mais quartos que uma casa de putas, pois fui e vou aprendendo a querer e a pertencer a outros países que escolhi para viver.
Actualmente vivo no país daqueles que, contrariados ou aliviados, fizeram o seu próprio país depois de 1640, e estou a aprender e a gostar de conhece-los, ainda que este seja um processo lento e com surpresas.
Actualmente vivo no país daqueles que, contrariados ou aliviados, fizeram o seu próprio país depois de 1640, e estou a aprender e a gostar de conhece-los, ainda que este seja um processo lento e com surpresas.
Assim, este exórdio (o dicionário tem umas palavras fantásticas!) ao assunto do post abaixo, é para que este não seja interpretado como uma simples ou leviana manifestação de nacionalismo da minha parte.
