Mostrar mensagens com a etiqueta frilance. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta frilance. Mostrar todas as mensagens

18 junho 2009

Trabalhar em casa

Sento-me ao computador com o machado de um prazo em cima da cabeça. O texto ainda demora a acabar-se, bebo mais um café. Uma linha depois, lembro-me da máquina que terminou e da roupa que devo estender. Quinze minutos depois, regresso ao trabalho. Três linhas mais tarde estou perdida, não sei se hei-de dizer amarelo ou azul. Assim como assim, avanço para a cozinha e faço um strogonoff, varro o chão, lavo a loiça. Ao fim do dia, o machado está a 2 centímetros da minha testa. É uma pena não ter pratas em casa. Seriam as mais reluzentes do quarteirão.

26 janeiro 2009

Somos muitos muitos mil

a trabalhar com recibos verdes, a engrossar o precariado silencioso que cresce todos os dias. Aqui podem assinar a petição Há... mas são verdes!, contra esta injustiça em que tantos vivemos há demasiado tempo.

04 setembro 2008

Grão a grão

enche a trabalhadora precária o papo... Hoje deram-me a notícia que me estendem o contrato por mais um mês. Acho que o meu futuro está nos negócios, instabilidade por instabilidade...

12 fevereiro 2008

O regresso da segurança social

Tal como me tinham dito, não vale a pena fugir das dívidas à segurança social. De uma forma ou outra, essa maravilhosa instituição que vela pelo nosso bem-estar acaba por descobrir os caloteiros e exercitar a sua persuasão irresistível para que paguem o que lhe devem. Há dias recebi uma carta que me avisava ter apenas 10 dias para pagar quase € 2.000, sob pena de procederem a uma cobrança coerciva. Amordacei os meus instintos terroristas e fui à tesouraria da segurança social onde, após uma longa espera, me explicaram que não há plano de pagamento que permita congelar a contagem dos juros (todos os meses cresce alegremente a minha dívida), nem estabelecer um montante mensal que alivie o peso dos milhares que terei de desembolsar. Sou obrigada a pagar, nos prazos e quantias que forem fixados pela instituição. Não interessa se tenho dinheiro ou se me endivido para pagar o que me pedem. O que importa é que pague.
Nos últimos dias, tenho vindo a descobrir os esquemas com que os trabalhadores independentes lidam com o maravilhoso mundo da burocracia e da precariedade laboral. Alguns resolvem o problema aceitando um contrato de trabalho que lhes pague o salário mínimo, garantindo que a entidade patronal faz os descontos para a segurança social e para a administração fiscal. Para além destes 'empregos', acumulam vários trabalhos como profissionais independentes. Só assim conseguem ganhar o (enorme) resto de que precisam para chegar ao fim do mês. Outros, que não têm esta hipótese salvadora, gastam uma parte do seu mês a abrir e fechar a actividade nas repartições de finanças. Abrem-na na véspera de passar um recibo verde. Fecham-na uns dias depois. E assim se safam dos € 150 deixados na segurança social.
Bem aventurados os frilance, pois será deles o reino da pobreza envergonhada.

01 fevereiro 2008

Para a múltipla da Seg. Social

"A actividade de baby-sitter é exercida pela pessoa que, mediante remuneração, cuida de crianças que não sejam seus filhos, nem parentes, por um período de tempo correspondente ao solicitado pelos pais ou pelo tutor da criança. Estas profissionais devem estar inscritas na Segurança Social como trabalhadoras independentes, situação na qual a prestação de serviços deve ser tratada directamente com quem os solicita. Estes casos correspondem, predominantemente, a jovens que recorrem à actividade em disponibilidade de part-time." No Portal do Cidadão.

Como vês, eles estão por todo o lado.

Só me pergunto se elas passam recibo e se dá para descontar essa remuneração no IRS?

23 janeiro 2008

Prevenção de actos terroristas

Descobri há pouco que tenho uma dívida de mais de € 4.000 à Segurança Social. Quando a senhora da tesouraria me passou os papéis de todos os anos e todos os meses que nunca paguei, hesitei entre a emigração imediata e o instinto terrorista.
Alguém sabe dizer o que pode acontecer se eu não pagar esta dívida?

23 julho 2007

Frilance

Algumas de nós puseram para bem longe a ideia de um emprego para toda a vida. Os nossos pais tremem de cada vez que anunciamos que nos vamos despedir, mudar de país, mudar de vida. Tentam convencer-nos que somos já crescidas, que temos de ter um emprego e um salário e tudo o vem atrás, colegas, chefes, fretes, o esplendor da vida adulta das intrigas e das guerras no trabalho, os sapos engolidos com copos de água que envenenam os dias e as noites. Uma e outra vez, paramos e mudamos tudo. Arriscamos tudo. Largamos um salário catorze meses por ano, nãoseiquantos dias de férias, largamos os descontos para isto e para aquilo, a preocupação com a reforma, o dia-a-dia da miséria que sobe aos olhos vem às mãos aos sorrisos ao amor mal soletrado.
Apesar da certeza de que não queremos os dias burocráticos, que não queremos estar ali (onde quer que ali seja) durante meses e anos sem fim, apesar da breve alegria de nos sentirmos livres para qualquer coisa que queiramos agarrar, apesar de tudo isso, há o penoso momento em que nos fazem a pergunta que não devem fazer: o que fazes tu na vida?
Podemos sempre testar respostas que deixem o nosso interlocutor sem vontade de saber mais, trafico armas, sou prostituta, não faço absolutamente nada. Ou podemos tentar responder mesmo, e damos por nós numa explicação confusa e interminável, que começa no tempo em que os dinossauros ainda falavam e termina no exacto momento em que nos atiraram a pergunta que não deviam ter feito.
Há dias, encontrei a resposta que, em três sílabas, sossega a pessoa que pergunta: frilance. Sou frilance. Depois destas três sílabas, não há mais dúvidas nem olhares pesarosos. E podemos voltar tranquilamente aos croquetes que ficaram suspensos em perguntas difíceis.

11 julho 2007

Bem empregada, mal empregada, desempregada

Salvo por curtos períodos de tempo, sempre fui trabalhadora independente, ou seja, com trabalhos com fim à vista, toma lá recibo verde, dá cá dinheiro. Mas nunca tive falta de trabalho, encontrei sempre trabalhos de que gostava muito, onde aprendia e em que sentia que era reconhecida. Nessa altura, não percebia que era uma trabalhadora precária nem o que isso significava e não me preocupava com estas questões. Quando tive a minha filha, por várias razões que serão motivo de outra crónica, estive cerca de um ano sem trabalhar e estava nessa altura a viver noutro país. Mas passado este tempo voltou em força o desejo de trabalhar e receber dinheiro por isso, de poder contribuir para o mundo com aquilo que sei fazer . Coincidiu esta altura com o meu súbito regresso a este país à beira mar plantado, devido à doença da minha mãe. Nem sei ainda bem como, consegui rapidamente um trabalho de investigação que me ajudou a adaptar-me , mas claro, durante apenas 8 meses e a recibos verdes. Depois disso, vieram ofertas que implicavam mudar de cidade o que de facto eu não queria, pois implicava estar longe da família e da minha mãe. Apercebi-me que 6 anos é um tempo muito grande e que eram poucas as redes sociais profissionais que eu tinha. Eram poucas as coisas a que podia concorrer, poucas as respostas que tinha e poucas as entrevistas para as quais fui chamada.
A sensação do desemprego começou a ser mais forte. Estar desempregada fez-me sentir uma série de emoções antes desconhecidas, medo do futuro, medo da idade, falta de confiança, crises gerais e particulares, insegurança face ao trabalho e às minhas capacidades. A desocupação implica também dificuldades económicas, perde-se capital económico e surge a impotência de consumo, perde-se capital social e cultural, referentes fundamentais na vida da cidade, surge o isolamento, o dia a dia limita-se cada vez mais, parece que quanto menos dinheiro se tem menos se vai ter, há alturas em que não se vê a saída, a pobreza económica parece uma inevitável catástrofe. O mundo lá fora julga que tens dinheiro, porque vives numa boa casa e até tens boa pinta e, por dentro, não se sabe onde conseguir dinheiro para um bilhete de ida e volta de autocarro. Em geral, a pobreza é vivida como algo clandestino, e parece não encaixar em quem é da classe média, tem um curso superior e uma forma de vida diferente daquela que se associa aos “pobrezinhos”. Pensei em solicitar o rendimento mínimo, mas nem eu mesma me convencia que era de facto pobre, não me sentia com direito para o fazer com tanta gente de facto a precisar. Por isso continuei a ser simplesmente desempregada. Senti muitas vezes que me olhavam com desconfiança ou comiseração, que diziam que não era desenrascada e valente ou que era uma burguesa acomodada, pois não cumpria com o que se esperava de mim, se estava desempregada é porque alguma coisa se passava. De todos os lados surgiram conselhos e sugestões sobre o que poderia fazer, claro que com toda a boa intenção do mundo, mas houve uma altura em que parecia toda a gente parecia ter a solução para a minha vida menos eu mesma. E às vezes, as pessoas até pareciam ficar ofendidas ou desiludidas comigo quando não queria procurar determinada oportunidade que me indicavam (para elas fantástica, para mim desadequada daquilo que eu queria ou que me julgava capaz), ou olhavam-me de lado quando rejeitava a utilização de cunhas, factor normalizado para conseguir emprego por estas bandas, como se o mérito próprio fosse algo secundário.
E a confiança decresceu cada vez mais, dizem-me que tenho um CV fantástico e só consigo esboçar um sorriso amarelo; de cada vez que envio um CV é inevitável que surja de imediato a sensação de “isto não vai dar em nada”, ao contrário das alturas em que de cada vez que mandava um CV acendia uma velinha e pensava com muito força em como ia ser bem recebido.
A única coisa que me safa neste momento é acreditar sincera, mas talvez estupidamente, que o facto de ter terminado de fazer a minha tese (precisamente sobre o tema da conciliação entre o trabalho produtivo, o trabalho reprodutivo e o ócio), me vai permitir iniciar um novo ciclo da minha vida. Dentro do meu ateísmo, o que me salva é a fé.

06 novembro 2006

Arranja-me um emprego

Arranja-me um emprego com horários, colegas a quem se diz bom dia boa tarde, almoços comidos numa pressa vagarosa, empregos em que o trabalho não vai para casa comigo, em que o telemóvel é pago, o carro é novo, em que o fim-de-semana é fim-de-semana a sério, quero ser funcionária, ter um chefe, não me importo se ele ou ela for chato, quero que mandem em mim e me digam agora trabalhas agora descansas agora almoças agora irritas-te agora não fazes absolutamente nada.