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30 outubro 2012

fio fio fiuuuu fiuuu fiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuu uuuuuuu

iuuuuu, belas adormecidassss....

e que tal um desafio para ajudar a acordar? e os leitores e leitoras que andarem por aí meio adormecidos também podem participar.

o desafio é para  continuar a encher o chouriço, salvo seja, do label "medicina musicopática".
Tanto podem ser posts como videos (curtos de preferência), feitos com o telemóvel ou como quiserem.

para quem quiser participar do nosso inestimável público (e ouve-se uma aranha a descer pelo seu fio no meio de uma sala vazia) basta enviar o texto ou video para oitoecoisa@gmail.com e será publicado (devidamente identificado e inserido na nossa licença de creativecommons).

até 1 de dezembro de 2012.

aceitam?  alguém tem algum outro desafio para a troca?


01 junho 2010

sssssaaaaaaaaaaalttaaaaaaaaa!!!

Hoje, ao ver o desafio de que já me tinha esquecido, só me lembrava das descidas vertiginosas na rampa do portão do colégio. Nas pistas que fazíamos com canas e mochilas e casacos. Das pernas todas escalavradas, dos collants empapados em sangue e terra e das malhas quase enterradas na rótula. Elas de patins, eles de skate. E todos os dias limpava os meus lindos, de metal cromado e couro vermelho. Tratava deles com todo o cuidado do mundo, porque um tinha preenchido a quota dos presentes de anos e o outro a dos presentes de Natal.


Quanto chegar a vez de elas se magoarem, vou ter de me lembrar da alegria de andar rota e esfolada. Do orgulho de conseguir saltar por cima das varas e aterrar do outro lado.

Um par de patins virtuais

O hoje, o ontem e o amanhã tinham cessado a sua existência e conviviam paralelos no universo virtual do Second lie. Ela e ele. Ele e ela. Ela e ele e ele e ela, o amor garantido para todo o sempre, até que a morte nos separe, ámen.
O nome dela era Sandra no mundo virtual. No mundo real era casada, vivia com o marido com quem partilhava uma filha em comum. A vida era monótona até aparecer o Second life e ainda mais monótona até ele aparecer, o avatar que foi capaz de a ressuscitar das trevas e num curto espaço de meses, a fazer esquecer tudo e querer deixar tudo para trás por ele, inclusive o fruto do seu próprio ventre.
O nome dele era DJ39 no mundo virtual. No mundo real, ele nem sequer vivia em Portugal e  precisava urgentemente de dinheiro para poder pagar a viagem de avião que o traria para os braços dela. Sandra enviou-lhe o dinheiro, crente, crente, tão crente daquele amor. O marido percebeu as horas enfiadas frente ao écran, até ela não o poder negar mais, os pais dela perceberam a mudança drástica da filha e cortaram relações. O marido prometeu ficar com a custódia da filha e metê-la fora de casa. Ela nunca recuou. Nunca recuou. Até ao dia em que se apercebeu que ele, o seu grande amor, a pessoa que a tinha feito sentir coisas que ela nunca antes sentira, o avatar DJ39, lhe tinha ficado com o dinheiro todo sem nenhuma intenção de o gastar num bilhete de avião e que a tinha trocado por outra avatara, desta vez uma brasileira de quem ela até era amiga.
Perdeu o DJ39, perdeu o marido, a filha, a relação com os pais e ficou na rua sem casa onde morar.
Naquele dia em que me apeteceu levar a minha boneca a dar uma volta pelo Second life, apanhei a Sandra a chorar alto e bom som no voice chat, a contar a sua história, a entornar uma garrafa de vinho goela abaixo e a gritar que se ia matar porque o DJ39 lhe tinha estragado a vida toda.
As pessoas conseguem ser completamente estúpidas ou é só impressão minha?

a vida é


patinar numa montanha russa.

patins em linhas tortas

um par de patins são aqueles com que me calço todos dias antes de sair para a pista da vida. Deslizo rapidamente da cama para o banho para a filha para o pequeno almoço para a escola para o trabalho onde continuo a patinar de tarefa para tarefa, patino para a escola da filha, para o parque para as compras para o banho para o jantar, patino e chapinho fazendo piruetas dentro de mim e inventando cada dia uma nova coreografia talvez porque  goste talvez porque tenha dificuldade em recordar e coordenar sequências. 

Os patins dourados

Eu tinha uns patins dourados. Os mais lindos do bairro. Tinha-me trazido do Brasil o meu avô Artur que morava lá.
Com aqueles patins eu voava, fazia voltas interminaveis à volta do candeeiro da praça, descia a rua da minha prima a alta velocidade e espatifei os joelhos uma data de vezes.
Eu tinha os patins mais lindos do bairro e ainda por cima falavam brasileiro.
Um dia a puta da Mariana riscou-me os patins todos com um marcador vermelho. Agora chamar-lhe-iam tags. Tags é o caralho que a puta quis-me foi foder os patins.
Mas bem-feita que nem sequer nunca teve uma bicicleta ou um triciclo ou uma merda qualquer com rodas...acho que nem sequer tem carta, a puta, invejosa...

Inventário

Par de patins do Diogo. Porque era quadrado até à náusea e queria fazer-me à sua imagem. Nunca conseguiu. Saíu pela porta dos fundos. Ainda tentou uma dupla pirueta, ramos de flores e frases dramáticas. Mas dos patins não se escapou.
Par de patins do António. Porque me queria engolir, roubar-me ao mundo, ter-me só para ele. Demorou muito a encontrar o par de patins que lhe servisse. Foi o que deu a bela ideia de me apaixonar por ele. Mas acabei por descobri-los, pu-los nos pés enquanto ele olhava incrédulo e zumba!, faz-te à pista de patinagem que se faz tarde.
Par de patins do Miguel. Porque era fraco e eu não suporto homens cobardes. Dei-lhe uns patins azuis, ele ficou deslumbrado com a cor e nem reparou que estava a sair pela porta fora.
Par de patins do Nuno. Porque me aborrecia de morte ao fim do primeiro mês. Tentou a abordagem da última noite juntos, mas eu não gosto de revisões da matéria dada. Saiu de fininho e ainda o vejo a deslizar  ao fundo da rua. Enervam-me os homens sem chama.
Agora reservo o direito de admissão neste estabelecimento. É que não há orçamento que resista a tantas despedidas.

25 maio 2010

desafio fio fio


Já cá faltava um desafio. 
O tema é 'par de patins'. O dia é a próxima terça-feira, 1 de Junho. 
Vamos a isso?

11 fevereiro 2010

Todo o vegetal dá um molho qualquer

Durante muito tempo achou que era preciso que os vegetais em questão fossem bróculos para darem um molho daqueles. Até ao dia em que dos mais inesperados e dignos alhos franceses brotou um molho tão intrincado a que se chamou górdio. Desde então espera Alexandre que a salve.

04 fevereiro 2010

Desafio fiooo


'Molho de brócolos' é o desafio, dia 11 a data de publicação.
Vamos a isso, múltiplas?

18 janeiro 2010

A tampa

A pior tampa é a que se dá por medo. Um dia, mais cedo, mais tarde, quando menos se espera, ela volta. E tem a seguinte palavra escrita na testa: cobarde.

Cheque

Quero continuar a estar contigo em sítios bonitos, com as pessoas à volta a piscarem o olho ao nosso ar cúmplice e transgressor.
Quero continuar a ouvir os elogios que me fazes, as virtudes com que me descreves, os planos que tens para mim e para a minha vida.
Quero continuar a partilhar contigo alegrias e tristezas, tempos passados e projectos futuros, falar de pessoas, coisas, sentimentos, paixões, desilusões, sonhos e pesadelos.
Quero continuar a ver-te, a cheirar-te, a sentir-te junto a mim, colado a mim, dentro de mim, todos os minutos e horas de todos os dias de todas as semanas de todos os meses do ano e contigo saber que somos um só em mente e espírito, e, quem sabe, um dia também em corpo, pois por ora não tenho coragem para te pedir que sejas só meu e que eu seja só tua.  

Tem mais encanto

A melhor maneira de despedir um amante é fazer amor com ele depois de explicados os argumentos reais ou inventados para a tampa. O ego fica menos combalido e é da maneira que se vai fazendo o plano poupança flirt. Nunca se sabe o dia de amanhã.

16 janeiro 2010

interlúdio poético II

Tapa a tampa com a peneira
Deixa-te estar sem eira nem beira
Canta boleros e janeiras
Depois manda x tampista apanhar na regueifa
E parte para nova ceifa

interludio poético I

Põe a tampa debaixo da manta
Desenha a tampa em manga
Deixa-te ficar trogamanga e songamanga
Mergulha-a na molhanga
E depois convence-te: 
porque é que eu quero uma tampa 
se posso ter uma bimby ?

Abrigo de senhoras

Uma noite qualquer na cidade, talvez chovesse e fizesse frio. Talvez não fosse uma noite qualquer, porque havia uma garrafa de vinho e três copos de pé alto, talvez não fosse uma noite qualquer porque ali estavam três mulheres que riam de si mesmas e dos seus desencontros.

Ela:  o melhor é ficar calada e parada, mas tampas ambíguas fazem-me comichão no céu da boca, mais vale um não redondo que consigo arrumar na gaveta.
Outra ela: à custa desse cabrão, já fumei três cigarros de seguida. Tu enervas-te e eu enervo-me por solidariedade. Acho que lhe vou apresentar a conta.
Ainda outra ela: estava eu tão tranquila com os meus amantes e fui apanhada na curva por este que agora se foi, do historial de mérito passei para o peito aberto onde ele entrou. Agora bateu com a porta, fala uma língua que eu não compreendo e estou aqui a fingir que não tenho paciência, que já dei para este peditório, que fico melhor assim.
Uma delas: olha, se te consola eu tenho a tampa mais estúpida do mundo. O meu amante búlgaro encontrou-me numa paragem de eléctrico e explicou-me, em inglês e a gaguejar, que não podia estar mais comigo porque tinha uma micose.

Nessa noite na cidade, naquela casa antiga transformada em abrigo de senhoras, beberam-se copos de vinho ao som de um rosário de gargalhadas e suspiros e músicas cantadas em coro.

Gosto de ti mas não dá...

Ela gosta dele, não sabe, mas supõe-se que muito.
Ele gosta dela, não sabe, mas talvez mais do que imagina.
Querem estar um com o outro pois tal como dois imãs de polaridades diferentes se atraem e fazem sentido juntos.
Ela habituou-se a estar sem ele.
Ele não aguenta muito tempo sem a ver.
Ele tomou uma decisão que ela não compreende.
Ela não encontra sentido naquilo que ele quer.
Ele fica surpreendido dela pensar nele todos os dias.
Ela fica surpreendida de ele se surpreender e de pensar nela também.
E assim vão caminhando juntos ainda que pareça que em separado se encontram.
E assim vão caminhando separados com encontros e desencontros, com conversas e desconversas, com tentações frustradas de não se poderem tocar mas de fazerem amor com os olhos com as palavras com os pequenos toques inesperados no braço e debaixo da mesa.
Ela não sabe se ele sabe o quanto lhe custa não o ver e vê-lo, falar com ele e não falarem, ele existir na sua vida e as tentativas que ela faz para ele se afastar.
Ele acusa-a de ela não pensar nele e naquilo que ele sente.
Mas que pode ela fazer se a espinha grossa que lhe está cravada na garganta não teima em sair?

O que fazer com panelas, tampas e afins

09 janeiro 2010

Desafio fio fio



Dia 16 de Janeiro, com a label 'quem as não tem', desafio as minhas múltiplas a postarem sobre a imagem que aqui deixo. Vamos nessa?

30 julho 2009