04 setembro 2010
16 outubro 2009
O gato
25 junho 2009
Fim do dia
24 abril 2009
Filmes
Com o pretexto de que íamos ao cinema, a minha vizinha de baixo hoje ficou-me com a miúda umas horas, que foram muito bem aproveitadas por mim e pelo meu excelso esposo. Quando fui buscá-la, diz-me ela:
- Então, aproveitaram bem o cinema? Vens com boa cara!
- Muito bem, Paquita, nem sabes quanto. Mas não fomos ao cinema, estivemos a fazer o nosso filme.- digo-lhe eu com ar malicioso, e responde-me ela com um ar descontraidissimo.
- Ah, mas quê, estiveram a ver filmes pornográficos?
- (Glupp) nãoo, estivemos nós "a fazer o filme", a aproveitar que não estava a filha e que podíamos estar à vontade
- Ahhh. Eu digo isso porque o meu genro, que é como se fosse meu filho, conheço-o desde que ele tinha 19 anos, está casado há 20 anos com a minha filha, vem para cá vê-los comigo. E aprende-se muito, uma série de posições que eu nem sabia, eu com o meu marido, deus o tenha, a gente dormia em camas separadas. Pois é, de vez em quando vejo esses filmes com o meu genro, a minha filha é que não gosta nada, zanga-se connosco, lá estão vocês, ainda hei-de deitar essas cassetes todas para o lixo. A minha mãe, que descanse em paz, também não gostava, mas eu e ele entretemo-nos, é bom para passar o tempo. Mas olha, fazem vocês muito bem em aproveitar o tempo sem a filha, quando queiras ir ao cinema é só dizer e vens cá deixá-la.
31 março 2009
silêncios
17 março 2009
geme..geme...GEEEEME
15 março 2009
A música anima a alma
13 março 2009
Lutos ao lado
Sai-lhe muito lá do fundo. Será que lhe morreu alguém muito querido? Será que lhe morreu a vida que ela tinha imaginado?
Fico quietinha,
o mais silenciosa possível
recordo e me entristecem
os seus e os meus lutos,
feitos,
desfeitos
e por fazer.
22 janeiro 2009
conversa de vão de escada
05 janeiro 2009
Só no meu prédio
29 fevereiro 2008
Ouço a chave na porta do lado
06 janeiro 2008
Surpresas de ano novo
1.00 h:
Tocam à porta. Era o meu vizinho do lado, que não conheço muito bem mas que já trocámos algumas palavras no elevador e que me emprestou a sua internet durante um mês enquanto a minha não chegava. Trazia uma garrafa de vinho tinto como oferta de novo ano. Agradeci-lhe imenso, contente com esta prenda tão inusitada mas também um bocado embaraçada; às vezes parece estranho que as pessoas sejam generosas, duma forma tão pouco habitual.
9.30 h:
Liga o administrador do prédio, e depois de ter desejado bom ano, avisa-nos que o vizinho de baixo se queixou que tínhamos feito muito barulho entre as 12 e a 1 da noite de ano novo, e que não o deixámos dormir porque não só dançámos e arrastámos os móveis como tocámos panelas desalmadamente. Apesar de achar que isto era completamente descabido, desci as escadas uns dias depois para desculpar-me com o vizinho. Era um velhote resmungão que me falou por detrás do postigo e só disse: o que lá vai lá vai, cortando rapidamente a conversa.
Ás vezes, os vizinhos são boas metáforas da vida. Vejamos o que traz este ano que entrou tão insolitamente.
12 agosto 2007
O Jorge
Descobri que quem lá vive é uma senhora com mais de 90 anos que anda sempre sozinha. Muito magra e tímida, encolhe-se toda quando alguém passa por ela, quando a cumprimento na rua não me responde - não me deve reconhecer fora do contexto. Passa muitas horas sentada num banco do jardim em frente ao prédio, gostava de saber no que pensa. Por vezes quando me responde aos bons dias sorri, e nesse sorriso descubro uma alegria quase infantil, e imagino-a de tranças a andar de baloiço. Presumo que a santa mãe seja dela, a declaração de ostracismo de um qualquer neto ou sobrinho.
Um dia vi-a entrar com um rapaz volumoso, moreno, bigode, com um ar malandreco e autoritário. Sem dúvida o autor das afixações, que entretanto tinham aumentado com a publicidade a um campeonato de kick boxing, onde se mostravam 4 galfarros em poses ameaçadoras e possantes. Informação sem dúvida utilíssima aos 8 inquilinos do edifício.
Quando estava a tomar chá em casa dos únicos vizinhos da minha idade descobri que a D. Madalena de seu nome não tem netos e que os autocolantes se devem ao Jorge. Eles vivem mesmo em frente dela e um dia o Jorge começou a aparecer lá por casa. De início a D. Madalena dizia que era o seu sobrinho, e passado uns tempos começou a referir-se a ele apenas como “o Jorge”. O rapaz começou a ser visita habitual.
A senhora que era assídua nos pagamentos do condomínio e seguro começou a ser menos pontual e a acumular dívidas. Um dia a falar com esta vizinha disse “sabe, comecei a ter umas despesas extra. O Jorge acha que eu devo ter telefone, TV cabo, internet... começámos a fazer umas viagens, que o Jorge diz que a vida é para aproveitar enquanto cá estamos... além do mais, coitadinho, precisou de fazer uma operação à vista e como ele não tinha dinheiro eu paguei-lhe. A vida é para aproveitar, sabe”.
Depois da operação à vista o Jorge começou a aparecer menos. A D. Madalena continua a passear sozinha. A vida é para aproveitar enquanto cá estamos.
15 dezembro 2006
À porta do 1º esquerdo
20 julho 2006
Na noite passada
Ontem à noite recebi um telefonema do meu vizinho. Tinha chegado a casa depois de 2 dias de ausência, as portas do armário da entrada estavam abertas e o alçapão tinha sido tirado do sítio. Pânico.
Anuncia, "Santos, vá ali com este senhor ver o que se passa na sua casa. Silva, acompanhe-o"
"ah sim, mas é mais burlas. Fazem-se passar por agentes da EDP e coisas assim, e levam-lhes o dinheiro. Mas há por aqui gente muito pouco recomendável. Por exemplo, um senhor que mora aqui no nº 28... mas não posso dizer mais"
O meu amigo e o Santos descem.
"quando estáveis lá em cima não visteis se havia pegadas?"