11 dezembro 2007
Feliz Natal
Tenho saudades dos meus amigos
(às vezes) Procura-se
Idade não interessa, profissão menos, sexo e orientação sexual indiferentes.
Respostas a esta caixa.
As conjugações do meu dia
Eu odeio-te;
Eu odeio-o/a;
Eu odeio-nos;
Eu odeio-vos;
Eu odeio-os.
ataque de fúria
Armo-me em grande educadora do automobilista português e descarrego a minha fúria em sinais de luzes, buzinadelas e sinalefas raivosas, seu ganda camelo vai mazé para a faixa da direita, caganda besta não sabe que se circula pela faixa da direita?
Mas o povo é sereno e sempre que regresso à auto-estrada dou por mim a espumar de fúria e a sonhar com o lexotanzinho que me trará de volta à normalidade.
10 dezembro 2007
e porque hoje fazem anos
Com excepção de todos os outros
Ainda há quem se acanhe
Com a pronúncia que tem
Mas com cinco letras apenas
Se escreve a palavra Manhe
Que é de todas a mais bela
Mais bela que o céu azul
E aqui tem mais letras
Do que no sul
Abel foi morto por Caim
Irmão nunca vi mais ruim
Trespassou Abel, que ao tombar Gritou "Mãe!"
A mãe, por sinal já defunta
Levantou-se mesmo assim
Disse para Caim
"Já não és meu filho Meu filho da mãe!"
A Democracia é também
Uma mãe mais doce que o mel
Só que às vezes Abel mata Caim
Caim mata Abel
Por aqui se prova, afinal
Que mãe afinal não há só uma
Só em Portugal
são mais do que as mães é isso, Mãe
A Democracia é o pior de todos os sistemas
Com excepção de todos os outros
Há muitos países que julgam
Que têm democracia,
inclusive às vezes, o nosso
Mas encha-se de justiça o fosso
E erga-se a liberdade ao meio
Que só de intenções
Está o inferno cheio
Não há justiça sem liberdade
E o vice-versa é também verdade
E essa é a luta, no fundo
Pelos direitos humanos no mundo
Sérgio Godinho: A Democracia
09 dezembro 2007
A revelação

Ithaka
hope your road is a long one,
full of adventure, full of discovery.
Laistrygonians, Cyclops,
angry Poseidon-don't be afraid of them:
you'll never find the things like that on your way
as long as you keep thoughts raised high,
as long as a rare excitement
stirs your spirit and your body.
Laistrygonians, Cyclops,
wild Poseidon-you won't encounter them
unless you bring them along inside your soul,
unless your soul sets them up in front of you.
Hope your road is a long one.
May there be many summer mornings when,
with what pleasure, what joy,
you enter harbors you're seeing for the first time;
may you stop at Phoenician trading stations
to buy fine things,
mother of pearl and coral, amber and ebony.
sensual perfume of every kind-
as many sensual perfumes as you can;
and may you visit many Egyptian cities
to learn and go on learning from their scholars.
Keep Ithaka always in your mind.
Arriving there is what you're destined for.
But don't hurry the journey at all.
Better if it lasts for years,
so you're old by the time you reach the island,
wealthy with all you've gained on the way,
not expecting Ithaka to make you rich.
Ithaka gave you the marvelous journey.
Without her you wouldn't have set out.
She has nothing left to give you now.
And if you find her poor, Ithaka won't have fooled you.
Wise as you will have become, so full of experience,
you'll have understood by then what these Ithakas mean.
Constantine P. Cavafy
07 dezembro 2007
Militarização da vida quotidiana (II)
Note to self
06 dezembro 2007
quando for grande
Quotes
"Jerry Seinfeld"
maravilhoso mundo num clix
05 dezembro 2007
04 dezembro 2007
Os bombeiros da Vidigueira
Um fogo deflagrou num Monte Alentejano.
Os bombeiros foram imediatamente chamados para extinguir as chamas. O fogo estava cada vez mais forte, e os bombeiros nao conseguiam dominar as chamas. A situação já estava a ficar fora de controlo, quando alguém sugeriu que se chamasse o grupo voluntário da Vidigueira.
Apesar de alguma dúvida quanto às capacidades e equipamento dos voluntários, seria mais uma forma de auxilio. E assim foi.
Os voluntários chegaram num camião velho, desgastado pelos anos e operações de combate. Passaram em grande
velocidade e dirigiram-se em linha recta para o centro do incêndio! Foram mesmo até ao centro das chamas e pararam.
Estupefacta a população assistiu a tudo. Os voluntários saltaram todos para fora do camião e começaram a pulverizar freneticamente em todos os sentidos. Como estavam mesmo no meio do fogo, as chamas dividiram-se, e restaram duas porções facilmente controláveis.
Impressionado com o trabalho dos voluntários da Vidigueira , o dono do monte respirou de alívio quando viu a sua herdade ser poupada à devastação das chamas. Na hora, pôs as mãos na algibeira e passou imediatamente um cheque de 5000 euros à corporação voluntária.
Um repórter do jornal local perguntou logo ao comandante dos bombeiros:
- "5000 euros! Já pensou o que vai fazer ao dinheiro?"
- "Penso que é óbvio, não é?" - responde o comandante a sacudir a cinza do capacete:
- "A primeira coisa que vamos fazer é arranjar a porra dos travões do camião!!!"
03 dezembro 2007
Vocês puxam por mim...
Mas, como eu sou uma querida, levam também com os Panjabi MC´s
A importância de se ter genérico
adeus português
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill
02 dezembro 2007
01 dezembro 2007
Declaração de sanidade
Pois sim. Mas em vez de fado do marciano chama-se "Senhor Extraterrestre".
A prova? Faz-se já aqui ao lado:
30 novembro 2007
Let's be careful out there
É verdade que as séries de televisão estão na moda. Fazendo a arqueologia desse fenómeno, este vídeo - que aqui posto - contém o genérico daquela que foi a minha série de culto, de 81 a 87.
Ladies & Gentlemen: Hill Street Blues.
E, claro, let's be careful out there.
De greve
Temos a impressão de viver numa autêntica esquizofrenia, em que os atropelos aos direitos dos trabalhadores/cidadãos são incomensuráveis e indizíveis. Hoje mesmo tomei conhecimento que não tenho direito, de acordo com a lei mais recente, a pedir baixa para assistência à família no caso de "a família" se tratar de um filho maior de 10 anos. Dou-lhe o passe para a mão, uma nota de 5 euros e mando-o ir para a urgência do centro de saúde porque eu tenho de ir trabalhar. Isto, comparado com a doente entrevada, o canceroso e outros mais, que são considerados aptos em juntas médicas comprovadamente inaptas, não é, obviamente, nada!Uma Felicidade
...imensa! A de poder olhar este rio cor de chumbo, num domingo ensolarado de Outono.
Memórias vivas
Essa corridinha passageira, sufocante
Interditas-me.
A existência corre absoluta e parece não haver já qualquer imensidão nas palavras - nos actos infames...
Que pena cabeça-de-chuva, cabeça-de-Inverno...
Os feitiços vão-se, vêm, vindo-se lentamente...
Usar-nos-emos até quando?
29 novembro 2007
Crise do meio da meia idade
Há os que se safam, os que se vão safando e os que já não têm safa. Mas todos têm em comum o sufoco. E com o sufoco vem a necessidade de recordar os tempos mais leves que são, naturalmente, a adolescência e a infância. Os desenhos animados, as brincadeiras na rua, as festas de garagem, os pátios dos liceus, as roupas horrendas e a sensação de vitória de ter saído incólume de tudo isso. E a esperança de, agora, também poder sair incólume de tudo isto.
E o mercado – essa grande entidade – está atento! Daí a M80 (muito ao jeito do antigo RCP), as reedições do Planeta Agostini e dos DVD´s da Heidi, do Marco e do Conan, os livros em formato antigo e com os desenhos originais da Anita. Até as calças são outra vez justas até mais não, com aquela tira nojenta por baixo dos sapatos.
Com os primeiros sinais de chuva e do Inverno, neste mundo curioso que é a blogosfera começaram os sinais desse sufoco. Nas músicas postadas, nas referências antigas, na necessidade de fuga para outro lado, ainda que só por um bocado. Uma das que mais me fez rir foi a do pisangambom, que escondi muito bem debaixo da mesa dos sumos numa das minhas primeiras festas de adolescente. É que, como nota a Ritti, “a única geração de jeito é a que teve 15 anos em 1990. Quem sobreviveu, como eu, à adolescência com os cabelos cardados, enchumaços XXL, calças de ganga pelo tornozelo lavadas a pedra, é feito de outra matéria”, as outras que me perdoem!
May the force be with us!!
Privação de cafeína
28 novembro 2007
Yolanda Becerra
english and rice
27 novembro 2007
Medusa do dia*
*Esgotaram-se-me as alforrecas. Mas a medusa também é bonita e é da mesma classe das alforrecas. Mais coisa menos coisa.
As minhas aulas
"Som a l'añy 50 abans de Crist. Tota la Gál.lia és ocupada pels romans... Tota? No! Un llogaret del Nord habitat per gals indomables rebutja una i altra vegada ferotgement l'invassor. La vida doncs no és gens planera per als legionaris romans dels petits campaments de Babaòrum, Aquàrium, Laudànum i Petibònum...
Os dias e as palavras

Passo o dia a alinhar palavras. Primeiro, leio-as num idioma que não é o meu. Depois, descubro o sentido que poderão ter na minha língua materna. Olho as palavras, sinto-as, saboreio-as, sondo as suas várias possibilidades, tomo decisões. Volto atrás e apago tudo. Volto a alinhar palavras. On and on. Até achar que está bem (esse «estar bem» nunca chegou, diga-se).
Há muitos anos, não sabendo ainda que me esperaria este quotidiano de alinhar palavras, peguei num livro e resolvi transpô-lo para o meu primeiro idioma. Tomei a seguinte decisão: não consultar o dicionário. As palavras cujo significado não conhecesse teria de intuir. Resultou um caderno que até hoje não ouso abrir.
Hoje, gostava de lançar o seguinte desafio que, para ser levado às últimas consequências, tem que obedecer a essa regra primeira: não consultar o dicionário. Aceitam-se, pois, traduções de um excerto do poema de Auden à vossa escolha (ou do poema na íntegra, se para aí estiverem virados) . Take your time. Sem consultar o dicionário, claro. Googlar muito menos.
Lay your sleeping head, my love,
Human on my faithless arm;
Time and fevers burn away
Individual beauty from
Thoughtful children, and the grave
Proves the child ephemeral:
But in my arms till break of day
Let the living creature lie,
Mortal, guilty, but to me
The entirely beautiful.
Soul and body have no bounds:
To lovers as they lie upon
Her tolerant enchanted slope
In their ordinary swoon,
Grave the vision Venus sends
Of supernatural sympathy,
Universal love and hope;
While an abstract insight wakes
Among the glaciers and the rocks
The hermit's carnal ecstasy.
Certainty, fidelity
On the stroke of midnight pass
Like vibrations of a bell
And fashionable madmen raise
Their pedantic boring cry:
Every farthing of the cost,
All the dreaded cards foretell,
Shall be paid, but from this night
Not a whisper, not a thought,
Not a kiss nor look be lost.
Beauty, midnight, vision dies:
Let the winds of dawn that blow
Softly round your dreaming head
Such a day of welcome show
Eye and knocking heart may bless,
Find our mortal world enough;
Noons of dryness find you fed
By the involuntary powers,
Nights of insult let you pass
Watched by every human love.Lullaby, W. H. Auden.26 novembro 2007
Fez um ano, está na hora
Grande é a poesia, a bondade e as danças
Pedido de desculpas
- mensagens de previsões para mim
- quero ver senas de sado masoquismo
no entanto, e à laia de redenção, vou tentar fazer um post sobre os temas todos, para memória futura.
Havia um ADN que tinha três patas, foi fazer chichi e caiu. No dia anterior tinha pensado nisso, e escreveu-o no seu diário: "cheira-me que amanhã ainda vou partir os cornos no chão quando for fazer uma mija no caminho para o citoplasma. às tantas ainda descubro que gosto". Fim.
Fotografia do dia II
Fotografia do dia
25 novembro 2007
Um pesadelo científico
- Isso mesmo que tu acabas de perceber.
- Não acredito! Porque é que esse espaço está vazio? Onde é que elas estão?!
- Não adianta, está feito.
- Não é verdade... Não é verdade!
- É verdade sim: deitei fora as 'Scientific American' que coleccionava há uma década.
Acordei em sobressalto e já não voltei a adormecer. Era um pesadelo, este diálogo com a minha irmã. O problema é que ela não desce a montanha, não larga os mosquitos nem a humidade peganhenta.
Por isso, não sei se isto era um sonho ou uma premonição, pelo simples facto de não lhe poder perguntar: quando eu estou a dormir ela está acordada e quando ela está acordada eu estou a dormir.
Don't come knocking



imagens aqui
Imperdível.
24 novembro 2007
o que se descobre
23 novembro 2007
Fotografia do dia
Departure day
Alforreca do dia
A lembrar a liquidez nem sempre translúcida da minha terra.A lembrar os dias de luz clara e temperatura amena.
A lembrar a última vez que inspirei fundo e pensei 'estou em casa'.
A lembrar que as alforrecas não devem ser pisadas de forma alguma, perigo de alergia.
A lembrar que atrás de uma alforreca vem sempre outra.
A lembrar.
22 novembro 2007
21 novembro 2007
Divanavegações
Apesar de que tenho conhecido alguns académicos e académicas feministas ou dos gender studies bastante divertidos, e que sei que os feminismos e os estudos de género, enquanto correntes teóricas ou enquanto movimentos sociais, não existem no singular, são muito diversos, acho que comprendo o Pedro Mexia, não consigo afastar o preconceito que teima em mim sobre os académicos, sejam eles e elas de que área forem: gente chata que vive num mundo que se fecha numa bolha de palavras e frases largas, pouco importadas em comunicar e partilhar o seu saber e encontrar traducções e aplicações deste no mundo fora da sua bolha. Isto não é verdade, eu sei. Mas o preconceito insiste em visitar-me.
ponto cruz
era outubro já é novembro quase dezembro
20 novembro 2007
É grave doutora?
Revendo outra vez o post e os seus comentários, em relação ao primeiro vector não encontro nenhuma possível indicação à peridiocidade ou frequência do acto sexual. Quanto ao segundo, faz-se referência ao prazer sentido com o corpo inteiro, incluindo, como é óbvio, a cabeça. O que poderia então levar a concluir que com quantas mais partes do corpo se sentir um climax sexual mais fodilhão/ona se é. Nesse caso haveria as pessoas fodilhinhas, fodilhãs ou fodilhonas.
Acordar em versão filipina
Ao longe parece-me que o carro estacionado à frente do meu está inclinado, que disparate. Ao chegar ao sítio vejo que está apoiado de um lado num macaco e que lhe levaram os 4 pneus. De repente um sorriso assalta-me o espírito: se se tivessem entusiasmado podiam ter feito o mesmo ao meu, o que me daria a desculpa ideal para não ir trabalhar! Chego mesmo a imaginar o telefonema de aviso, a minha vitimização, todos solidários comigo, claro com certeza. Envergonho-me em seguida desse pensamento torpe, já tenho idade para ter juízo.
Ao chegar à garagem da repartição dou de caras com um início de inundação, jorra água como se fosse o rio Jordão de uma saída de esgotos. Novo lapsus facial, vão ter de evacuar o edifício e mandar-nos a todos para casa, estou safa. Vou de imediato avisar quem de direito, cheia de esperança no corpo e na alma, mas dizem-me que o assunto vai ser tratado de imediato que não me preocupe.
Encolho os ombros, sinto-me um cruzamento de Felipe com o Calvin, com a agravante de me sentir do outro lado da barricada e de repente ter de dar razão à minha mãe. Ser adulto não tem assim tanta graça. Ainda não percebi se o pior é ter de cumprir obrigações ou descobrir que os pais têm mais razão que o crédito que sempre lhes demos. Duro golpe no ego.
19 novembro 2007
Ah pois é!
18 novembro 2007
Abra o livro mais próximo na página 161,
bricolage e outras décalages
Mas como nem sempre do tradicional e do geral se fazem as nossas histórias, no meu caso, habituei-me a gostar do bricolage. Em miúda, sentia um gozo especial em pregar pregos, pôr parafusos, fazer um candeeiro, tentar ver como funcionavam as coisas e o que poderia fazer para arranjá-las, e como nem o meu pai nem o meu irmão tinham jeito ou gostavam disto, eu tinha por vezes oportunidades para praticar este meu gozo. Quando saí de casa dos meus pais, relativamente cedo, e fui viver com 2 amigas, elegemos o martelo como o melhor amigo da mulher; era incrível a quantidade de vezes que o usávamos, fosse para arranjar uma janela ou abrir um lata de pêssegos em calda de antes do tempo da abertura fácil. Há muito tempo que adoro manuais de instruções e sou fã do IKEA, sinto-me inteligente a montar as coisas deles, apesar de saber que estão feitas para serem fáceis. É verdade que para coisas mais complicadas há sempre a um amigo homem disposto a ajudar, mas, sem ser perfeccionista nem experta, aprendi a não ter receio ao bricolage doméstico.
Mas há pouco tempo, a propósito de uma série de mudanças de casa, minhas e de amigas, comecei a perceber que estava enferrujada, que já não pegava no martelo ou na chave de parafusos com a mesma segurança, que não tomava a iniciativa de montar uma estante do IKEA ou que guardava rapidamente os manuais de instruções sem os ler atentamente. Há já alguns anos que partilho a casa e a vida com um homem, um homem habituado a fazer estas actividades desde pequeno e ainda para mais com muito jeito para elas. Comecei a perceber que me tinha vindo a acomodar, fui deixando que fosse ele a fazer o bricolage da casa. Ao principio ia ajudando mas depois acabei por ir deixando-o sozinho a montar e a arranjar enquanto eu ia tratando de outras coisas (por exemplo, a cozinha, o arrumar, o organizar), e quando alguma coisa se estragava, imediatamente o chamava sem sequer tentar ser eu a arranjar.
Resolvi então retomar o gosto no maravilhoso mundo do bricolage, e, eis senão quando, encontro um enorme obstáculo: a pergunta feita a cada meio minuto: Queres ajuda?, ou, mal se agarra no parafuso, Queres saber um truque para esses parafusos? Junto a isto, ouvir frequentes suspiros desesperados, Aiiiiiii meu deus!!!!, ou Espera, espera, espera, não faças isso (com um tom aflitíssimo). Claro que uma pessoa fica nervosa e baralha-se com as instruções e já mete as prateleiras da Billy ao contrário com os parafusos a verem-se, deixa cair a chave de parafusos repetidas vezes e, apesar de se esforçar e arranjar uma solução criativa de embrulhar o martelo no cachecol para não partir a madeira, é mesmo assim interrompida diz que por causa das rachas que já se começavam a ver (juro que não vi nada que se pudesse assemelhar a rachas).
Hesitei entre o ir montar a estante para a casa do vizinho ou aguentar-me e apanhar a chave de parafusos tantas vezes quantas as que ela caiu. E fiz memórias das quantas e quantas vezes que fui, sou, uma chata e, por exemplo, disse ao meu companheiro quando ele tenta cozinhar, Isso não é assim; vais pôr essas ervas, arghhh, isso não combina nada bem; deixa estar que eu faço o jantar que sou mais rápida que tu.
Apesar de todos os conhecimentos teóricos, de todas as mudanças sociais em relação à igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, apesar de todas as convicções, na construção da minha realidade, pessoal, intima e partilhada, encontro-me a cada passo com as minhas incoerências da vida quotidiana e não tenho um manual de instruções que me valha. Só me resta agarrar-me ao martelo!* e seguir para bingo!
*Pede-se a alguma das minhas queridas múltiplas o favor de explicar a anedota.
A festa
Chegada à festa, e para meu sobressalto, encontro figuras do jet set nacional como a Lili Caneças, o José Castelo Branco e a Lady Beth, a Paula Bobone – ela mesma -, a Paula Taborda, o João Rôlo e a demais cambada: tudo a ver quem estava e com quem estava e a colocar-se estrategicamente para as fotografias das revistas.
Estava a conversar com uns primos quando a d. Paula Bobó se volta para trás e diz: “ólhê, você k tá aí com um ar tãoo amoroso, não me quer segurar o copo?” O rapaz ficou de tal maneira embasbacado por se ver, assim, transformado em pajem que nem conseguir fechar a boca. “Não, não, é só enquanto tiro aqui esta fotografia”. E avançou com o dito e pespegou-lho prás mãos. “Mas não cuspa lá p´ra dentro, está bem?” (do I need to say more?).
Copo aqui, beijo ali, olá acolá, passou-se a primeira parte e vem um criado que, aparecendo por trás, me põe as manápulas entre as costas e a cintura e faz - o que se chama em linguagem moderna – um forcing, enquanto diz que “é pra ir jantar”, recuando rapidamente perante o meu olhar gelado enquanto acrescentava o “minha senhora”.
A minha mesa tinha uma personagem inenarrável, com nariz à Michael Jackson, lentes de contacto azuis, madeixas loiras e tom de arara. Na casa de banho, meteu uma conversa de tal maneira louca e descabida com uma senhora que esta apenas lhe pôde responder: “pois, mas eu sou loira natural e não posso usar desse bâton senão pareço um travesti”...
Das debutantes, 80% pareciam que vinham do Champagne ou do Elefante Branco. Eram assim ordinarotas, de ar ou de vestido, ou de ar e de vestido.
Enfim, para fazer um resumo aproximado: nem decoraram o barracão da festa, faltavam tantos lugares nas mesas que houve uma cena de pancadaria entre um convidado e um criado, puseram senhoras com idade para serem minhas mães a jantar em bancos de bar cujo assento era mais alto que a mesa, a comida estava intragável, já ninguém sabe dançar a valsa, a Lili arregaça as saias acima da coxa para dançar o lálálá do “I will survive”, a Bobó fica para lá de ridícula de bandelete de veludo com um laçinho ao lado (e usa bijutaria feia), o Rôlo atirou-se ao meu marido mas o Castelo Branco teve a decência de recolher cedo para que a sua Lady não se finasse já.
Para além de ter confirmado que o jet set é coisa que já não existe (ou que, pelo menos, se esconde destas festarolas deprimentes), só cheguei a uma conclusão válida nessa noite: se voltasse a escolher uma profissão seria cirurgia plástica. A julgar pela quantidade das que vi, nem é preciso ser-se bom...
17 novembro 2007
estômago
rissóis de atum e arroz
ananás
ainda mais café
chá bolo
sopa carne assada arroz
laranja
Dezoito horas de vigília. Minutos a mastigar e a engolir.
O tempo que se poupava se não tivesse de comer.
15 novembro 2007
Secretariado
14 novembro 2007
Ai Portugal, Portugal...
"(...) la France a gardé jusqu'en 1945 l'âme d'une nation rurale; et lorsqu'elle cède aux sirènes de la dictature, à l'été 1940, c'est un régime ruralisant et catholicisant qui s'installe, à la Salazar, non un fascisme".
Não! Mas este gaulês deve ser louco! Estará ele a referir-se AO MAIS ILUSTRE PORTUGUÊS DA NOSSA HISTÓRIA?!
Fotografia d(e um)a noite

Girl of my dreams

13 novembro 2007
Fotografia do dia
Nem há fotografias sobre outra coisa qualquer. Estou em greve. Não me perguntem porquê. Não sei. Não me apetece.
12 novembro 2007
Definições
Tudo àgua
Das duas vezes, acertei ao lado. O que eles queriam não era optimismo ou palavras animadoras. O que eles queriam era simplesmente estar tristes, poder estar tristes sem ser julgados, falar simplesmente das amarguras que nos passam na alma e que parece que têm tão pouco espaço nas nossas vidas.
3 minutos por semana
11 novembro 2007
Como se faz uma académica
Isto dá muito trabalho ser uma mulher interessante
- um bocadinho de base literária
- um blushzito neuronal
- o rímel: ‘NY review of books
- o lápis: ‘The Economist
- o batôn, sem dúvida o ‘Guerra e Paz
- a sombra... hmmm... hesito entre a filmografia iraniana ou a novíssima poesia etíope
(posso ir sempre variando, um dia um, um dia outro).
10 novembro 2007
A voz
Nunca vemos a nossa cara, o espelho dá-nos o seu inverso. Aquela que vemos lavar os dentes e a pôr hidratante na cara não é a mesma que atraiu o Manuel do 2ºC.
Não sentimos o nosso cheiro, quanto muito o do perfume que escolhemos, e mesmo esse desaparece por hábito ao fim de umas horas.
Não reconhecemos o nosso sabor nem o tacto, não perdemos tempo com o auto reconhecimento sensível.
Mas o sentido que mais nos incomoda sempre é a audição. Apesar de sermos as únicas pessoas no mundo que ouvimos tudo o que dizemos, ficamos sempre horrorizados quando se nos devolvem o som da nossa voz.
A minha única esperança é que o essencial seja invisível aos olhos, inaudível aos ouvidos, inodoro ao olfacto, insípido ao sabor e imponderável ao tacto.
Angie
Não é o caso desta múltipla, NETA desta imortal canção.
PARABÉNS! Que contes tantos e muito bons.
(Angie, you can't say we never tried...)
09 novembro 2007
Antes disso vou só ali, ok?
08 novembro 2007
06 novembro 2007
Há poesia em todo o lugar
"Temos que saborear cada momento. Nem que seja fazer uma mija sentado na retrete todo arregalado."
Fotografia do dia
05 novembro 2007
As coisas preferidas
- um mail de alguém que dizia que os ânimos andavam em baixo nesta chafarica;
- a semana temática da felicidade decidida cá em 'casa';
- a temperatura amena, como se de Primavera fosse, em Novembro;
- uma buganvília numa cor que nunca tinha visto em mais lado nenhum;
- um post da sem-se-ver.
Eu, que sou dada a reptos e não passo sem um (pelo menos de 3 em 3 meses), deixo aqui o desafio:
Quais são as coisas de que mais gostam nesta vida? O que vos põe feliz?
Assim, sem pensar muito, de repente...
Digam!
(e em baixo uma música adequada ao momento, senão A música adequada ao momento)
B & B
Fotografias
Não é original? Paciência. Ser original é uma das (várias) coisas difíceis de ser hoje em dia e eu não posso superar todas as provas ou, pelo menos, todas ao mesmo tempo e já tenho as minhas prioridades reservadas para outras causas.
Só tive dúvidas sobre qual seria a primeira. Quando virem as outras, vão perceber o porquê da indecisão.
04 novembro 2007
Cenas da vida conjugal (v)*
- S., vamos embora?
- Sim, estou só aqui a acabar de falar com a J.
- Olá J. Tens nome de flor, é muito bonito. Quantos anos tens?
- 3 (mostra-mos com os dedos). Olá. Quem é que és tu?
- Eu sou a M.
- E és a mãe dela? (aponta para a minha enteada)
- Não, não sou a mãe dela. Sou amiga dela. Bem, na realidade sou mais do que amiga, mas posso dizer que, sim, somos também amigas...
- Ahn?
- A S. tem uma mãe, mas eu não sou a mãe dela.
- E aquele senhor que está contigo?
- Aquele senhor que está comigo é o pai da S.
(o rosto da J. abre-se num sorriso rasgado):
- Ah! Já estou a perceber tudo!!!
Não sei o que a J. percebeu, apenas posso intuir. No lugar dela, há muito mais de 30 anos, não teria percebido nada daquilo que julgo que ela percebeu em menos de 3 minutos e 50 palavras.
*Ou da percepção infantil sobre as recomposições familiares
02 novembro 2007
Shine
How pathetic is that?
Este é roubado
01 novembro 2007
Luiza

Fica-se sentimental com a idade. Deve ser isso. Ou então não.
It's show time folks
Ando há anos com isto por dizer - Obrigado.












