04 novembro 2011

Amores à primeira vista

Cheguei ao grande supermercado de livros muito tempo antes da hora marcada para o happening de fim de dia. Como sempre, uma impossibilidade de ali entrar, ali ou em qualquer livraria, e sair de mãos a abanar. É como a velha história de ir a Roma e não ver o Papa. Mesmo se não uma impossibilidade, uma enorme dificuldade.
Deambulei com algumas ideias bem claras na minha cabeça do que gostaria de levar para casa. Havia começado a ler, por sugestão de uma amiga do peito, um romance de Ricardo Adolfo, uma surpreendente revelação na literatura em português, mas que tive de deixar para trás no momento de retorno à pátria. "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas" é uma história apaixonante narrada por um imigrante ilegal que se perde na cidade onde habita não conseguindo encontrar o caminho para casa. Encontrei-o e pu-lo na cesta. Procurei "A Cidade dos Prodígios", sem sucesso. A paixão que trago por Barcelona precisava de ser alimentada por um romance que me falasse dela e era este mesmo que tinha na fisgada.
Mas como tantas vezes me acontece na vida, às vezes basta-me querer para que a surpresa me caia mesmo à frente do nariz. Não estava lá o que eu procurava mas bastou-me varrer com o olhar o primeiro expositor dos estrangeiros traduzidos para me deparar com uma capa fabulosa, ilustrada por uma imagem lindíssima do fotógrafo do instante, Catalá Roca.
E agora ando com Clara, com Daniel, com Barceló, com Julián Carax e mais umas quantas personagens, a viajar pelas ruas da Barcelona do princípio do século XX.
É o que eu sinto: Barcelona vai comigo e eu vou muito bem com ela. E este é um amor à primeira vista nada traiçoeiro.

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