30 agosto 2008

Eu bem sabia


que havia uma boa razão para não lavar o carro mais do que uma vez por ano.

Ser ou não empreendedora

Desde há algum tempo que me anda a obcecar a ideia de montar um negócio. Ando a desmontar uma série de preconceitos que tenho (tinha) em relação ao mundo dos negócios, ao ter dinheiro, ao trabalhar em coisas comerciais. Mas ainda não me consegui decidir. Outro dia pedi ajuda a um amigo que sabe mais destas coisas que eu para que me falasse sobre o que é ser empreendedor/a. Esta foi a sua resposta:

O empreendorismo tem uma característica lixada: não se consegue ensinar... Mas existem traços comuns a todos os grandes empreendedores: perseverança, faro de perdigueiro... e sobretudo: tolerância ao risco, pragmatismo, flexibilidade. Sem uma boa ideia nada feito, mas depois disso há um mundo de coisas que podem correr mal quando ela é posta em prática. O factor sorte-contingência tem muito peso. Por isso os empreendedores têm sempre uma atitude saudavelmente sobranceira face ao risco, porque ficariam bloqueados se racionalizassem demais tudo aquilo que pode correr mal. Já alguém disse que a mente dum empreendedor é algo parecida com a de um delinquente juvenil, sempre suficientemente irresponsável de modo a não levar demasiado a sério todos os potenciais obstáculos. Eu tenho uma admiração muito grande por quem tenha esse perfil: não é meu caso. Sou demasiado obcecado com os riscos para os conseguir esquecer. Adoro construir coisas à minha volta mas estou sempre demasido desperto para os limites. A principal característica dos grandes goleadores é não pensarem demasiado. Quando vêem a baliza limitam-se a chutar, não perdem tempo a fazer um desenho da baliza. Eu cá sei desenhar umas balizas todas bonitas e consigo explicar a melhor maneira de marcar golo... mas marcá-lo é outra história. Uma dúvida não tenho: para ser empreendedor é preciso querer mesmo muito. Sem tenacidade nada feito... e estar preparado para não acertar à primeira, se calhar nem à segunda... Às vezes até parece que alguns empreendedores são uma espécie estranha de abutres que se conseguem alimentar dos seus próprios fracassos. E essa característica faz a diferença.
Fiquei contente, tenho perserverança e "irresponsabilidade" suficientes, e a boa ideia... também está quase.

27 agosto 2008

Três em um



Numa breve vista de olhos por um site de noticias encontro 3 noticias com o mesmo denominador comum, o tomate:


Em Valência foram utilizados 120 mil quilos de tomate numa das festas mais populares de Espanha, a tomatina . Por outro lado, uma investigação cientifica britânica revelou que o tomate é amigo da pele, pois comprovou-se ser bom para reduzir os perigos de exposição ao sol. Ao contrário, nos Estados Unidos estão a recomendar que não se consuma tomate pois mais de mil pessoas foram infectadas com as salmonelas encontradas neste alimento.


Divertir, prevenir o cancro e matar, tudo num só. Acho que vou fumar mais um cigarro, pelo menos não vou ao engano.

o porquê do português ser português

Há uns tempos atrás recebi este email de uma muito querida amiga, e com a sua autorização, não resisto a publicá-lo.
hello amiga!!
Realmente os chefes são uma coisa muito chata. Mas ter chefe ás vezes não é nada mal sinal. Eu própria estou à procura de um chefe. Se por acaso souberes de um chefe disponível avisa, já sabes.Gostava de ter um chefe na área da produção e organização de eventos, anda-me a apetecer ter novamente um chefe neste área da produção. Acho que me gosto de preocupar AHAHAHAHA! mentira.
Quando voltas ao teu querido Portugal amiga???? o rancho folclórico já está marcado para a festa, diz-nos quando vens para a gente limpar a casa e substituir o galo de Barcelos que fica em cima da chaminé, mas não é galo um qualquer não senhor, é um daqueles lindos aveludados que nos dizem como vai ser o tempo amanhã, é que o nosso já tem um bocadinho de gordura, derivado ao local onde está exposto pois é claro. Diz lá amiga se estes galos de Barcelos não são um dos maiores mistérios da vida e da cultura portuguesa, desde pequena que me intrigam estes objectos. Como é que eles sabem que amanhã chove ou faz sol ou até que o tempo está nublado??? é de facto um dos maiores mistérios da vida a par com as sete sais das nazarenas que ainda hoje não sei porque tinham tantas, e se é que as tinham na realidade. As tortas de Azeitão e toda a imensa quantidade de bolos existentes na nossa doçaria são também um mistério. Só um povo infeliz como o nosso poderia produzir tamanha variedade de bolinhos e bolões, dar nome a cada um deles e permanecer inerte e infeliz, não achas? Bem, mas isto explica muita coisa pois está provado que o açúcar na realidade e um depressivo, pois passado o "quico" inicial o "baixão" de açúcar seguinte provoca tal dor de alma que a malta segue infeliz e agarrada aos doces. Mas aqui reside a chave para a explicação da saudade e para pregar aos governantes deste lindo país à beira -mar plantado um susto descomunal. Pois fechem todas as pastelarias do pais e o português revoltar-se-á. Vão ver, acaba-se de vez com a apatia do açúcar. Eu tive muita esperança com a crise dos combustíveis, pois imagina lá tu bem o que era o lisboeta sem sardinha para o santo António!!! Revolta na certa. Mas a verdade é que apareceram as sardinhas e foram as melhores da minha vida. Comi-as numa paralela à rua da Bica, assadas por um senhor de origem caboverdiana com negócio na Bica e residente em Sacavém (eu bem que lhe reconheci o filho). O dito senhor, possuidor de uma enorme simpatia e de uma grande bebedeira (eram os santos populares pá!) pagou-me uma rodada de sangria, pois era o meu aniversário e fez o seguinte brinde: Sacavém é outra loiça! Diz lá amiga se Lisboa não é linda, Portugal e Sacavém também??? Bem basta de divagações acerca do porquê que o português é tão português e destas pequenas particularidades que nos fazem ser um povo tão especial. Já agora é óbvio o motivo porque todos os alemães e até os italianos querem levar um galo de Barcelos para casa. É que eles não conseguem ser tão especiais como nós. Após este discurso de cariz nacionalista espero que te sintas melhor e mais próxima de cá, porque "nós por cá tudo bem" mas cheia de saudades da amiga emigra. muitos beijinhos e muitos abraços da amiga Anita Catársica entre cá e lá.

26 agosto 2008

vermelho

Vermelho é o sangue que corre no meu peito, à toa, desvairado, sem saber para onde ir, sozinho. Vermelho é a cor que me mancha todos os meses, é a cor dos filhos que todos os meses não nasceram e me saem do corpo, limpando-o. Vermelho é a cor da minha insatisfação, da minha frustração, da minha impotência perante mim.
Vermelho, sou eu.

24 agosto 2008

E a prova de redacção? Com esta é que eu tramei a professora...




E fizesse o que quer que fosse, o resultado era sempre MB. Aumentou muito a minha auto-estima, parece.

Prova de ditado #2



Como se comprova, a aposta era feita na coerência. Como o Rui é amigo do pai e o pai é quem trabalha, o Rui contenta-se com a ameixa enquanto que o progenitor, para evitar uma indigestão na prole, se alambaza com o peixito. Para que o fim seja épico, o boi come a papoila.
Eu até tentei desenhar o boi. Ou seria a papoila? Nunca fui boa a desenho.

Prova de ditado #1


A tia a tia é a tua tia(?!) é a tua tia a titi é a tia a tia tapa o pote. (continua)
Que merda é esta? E não queriam uma geração de disléxicos!

Arrumações de Verão

Agosto é um bom mês para arrumações.Limpam-se umas teias de aranha ao mesmo tempo que se ganham outras na confrontação com objectos que, de tão bem guardadinhos que estavam, não faziam a mais pequena beliscadela por não acordarem fantasmas adormecidos.
Do meio do pó, saquei o que posso classificar como um verdadeiro tesourinho deprimente: o meu caderno de avaliações da primeira classe, datado de 1974/75. Como não sou uma criatura perfeitamente normal, em vez de chorar ri, chorei mesmo a rir. Sempre o fiz de mim mesma com a maior facilidade e quem me conhece comprova-o. Acho-o não só revelador de traços de personalidade que alguma psicóloga de serviço (eu não, safa!) pode tentar aferir, mas também o desmistificar do que era o ensino glorioso do antigamente. É que nos dias que correm, eu seria linchada se propusesse aos meus alunos provas destas. Os nossos alunos de hoje sabem, sem dúvida, infinitamente mais do que nós sabíamos naquela época.
Observem...

23 agosto 2008

that's my girl

menina - vamos brincar aos pinguins?
outra menina- vamos! eu sou um pinguim.
menina - não, és uma pinguina, uma pinguina...

Será esta a origem da palavra "analgésico"?



Primeiro pensei, pelos tons, tratar-se de mais um cartaz do BE. Rapidamente percebi ser pouco provável. Não íam produzir um filme com um título destes!

22 agosto 2008

Não há nada

como a alusão à burguesia para animar as hostes.


pequena rectificação do post anterior

As férias não foram uma invenção burguesa, resultaram das reivindicações dos sindicalistas franceses e foram implementadas pela primeira vez na Europa em 1936, pelo governo socialista francês da Frente Popular, junto com a redução da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais. Na União Soviética já existia o direito a férias pagas desde 1930 e em Portugal, apesar de haver legislação garantindo direito a férias desde 1937, até ao 25 de Abril de 74 só abrangia parte dos trabalhadores e no máximo dava direito a 8 dias de férias ao fim de "5 anos de bom e efectivo serviço". Actualmente em Portugal todas as pessoas que têm um contrato têm direito a férias e subsídio de férias, com a duração mínima de 22 dias úteis.
Só quem trabalha a recibo verde não tem este direito. Nem este, nem muitos outros...

Ou então estamos

Ou então estamos por aí espalhadas, sabe-se lá onde, a fazer tudo menos vir aqui a este canto. Se calhar estamos a procurar monstros em lagos improváveis, a empilhar livros e textos em maratonas de leitura com prazo à vista, a regressar à vida e ao trabalho, perdidas no meio do oceano, enterradas na preguiça de não escrever, a registar minuciosamente a luz do fim do dia, a contar as chuvadas que caem naquela terra onde fomos parar, a embarcar numa viagem ao centro da terra, a cozinhar receitas demoradas cheias de ingredientes raros, a gozar o prazer da invenção burguesa das férias. Ou tudo isto ao mesmo tempo.

Será que estamos

fechadas para obras?

13 agosto 2008

Use only what you need


Client: Denver Water
Agency: Sukle Advertising & Design
Creative Director: Mike Sukle
Art Director: Andy Dutlinger, Jeff Euteneuer
Copywriter: Jim Glynn
Photographer: Brian Mark

Mr. W.

video

Intermitência #3

(…)
Acordou sufocado, como quem nada no fundo do mar em busca de ar. Levantou-se desgrenhado e decidiu sair. Apanhar ar fresco e respirar fundo. Antes de sair abriu uma gaveta dela, aquela onde costumavam estar os seus pequenos tesouros que só agora lhes percebia o valor. Queria qualquer coisa que o pudesse ajudar a procurá-la. Encontrou um bilhete de cinema, o seu colar preferido, a pregadeira que lhe ofereceu no aniversário, fotografias, as cartas que lhe havia enviado e uma outra que ela não chegara a enviar. O destinatário era ele, estava escrita a tinta negra e junto tinha um caracol de cabelo dela.
Abriu-a, cuidadoso. Leu-a devagar para poder digerir cada palavra.

Olá meu querido.
Como tens andado?
Escrevo-te porque gostava que soubesses como a minha cabeça se ocupa involuntariamente contigo. Todos os dias deambulo por ti. Adivinho os teus dias e embalo o teu sono. Preencho as horas dispersa, enquanto os meus pensamentos se atiram para o precipício que és tu. Esse fantasma em que te tornaste.
Estou cansada. Fazes-me falta porra. Não consigo deixar de pensar em ti. Apetece-me fazer amor contigo como costumávamos fazer. O que te parece? Aproveitamos o escuro do meu quarto e depois esquecemos. Tenho saudades do teu toque, do encaixe perfeito dos meus lábios no canto do teu olho com o teu nariz, da curva perfeita das tuas costas, da parte de trás dos teus joelhos. Queria outra vez esse amor erecto que envolve em espasmos de corpos suados, a tua mão a sufocar a minha boca e os teus olhos perdidos nos meus.
Quero acordar e soltar-me deste aperto no coração. Odeio-te por esta agonia, por teres sido o meu presente envenenado.
Conto-te um segredo. Mais um. Mas não digas a ninguém…
Envenenar-me-ia de novo. Inconsequente na loucura desse amar.
Um beijo.

P.S. Um dia será tarde demais.

Intermitência #2

(...)
Caminhava acelerado para casa dela. Nervoso, tocou à campainha. O mesmo toque de sempre, primeiro curto e depois prolongado. Atendeu-lhe o amigo dela. Gostava dele, tinha um ar de pessoa porreira. Perguntou-lhe por ela. Ele disse "Ela já não está cá. Foi embora. Não sabemos para onde foi e também não disse quando volta.". Naquele momento sentiu o coração saltar-lhe à boca, precisava de sentar-se. Precisava de gritar, precisava de chorar. Num solfejo de contimento pediu-lhe se podia ir ao quarto dela. Ele disse-lhe "sim, demora o tempo que precisares.".
Entrou, os móveis mantinham a mesma disposição. As paredes, porém, estavam despidas. Ela tinha retirado as fotografias, os papéis e os postais. Sentou-se na cama, pousou a cabeça sob os joelhos, as mãos na nuca e chorou. Chorou como nunca se tinha permitido chorar. Quando os seus olhos azuis secaram, deitou-se. O cheiro dela mantinha-se entranhado na almofada. E deixou-se adormecer naquele soluço de desalento.

Intermitência #1

Nesse dia acordou com uma sensação esquisita. Sentia o torpor nos membros e uma tristeza nebulosa que se abatia sobre a sua cabeça. Subitamente, ocorreu-lhe que aquela solidão tão almejada não fazia mais sentido. Esse desejo de estar só com as suas coisas deixara de ser tão nítido.
Forçou-se a levantar da cama e arrastou-se para um banho que esperava revitalizante. Ao contrário do seu costume, demorou-se nas gotas de água incessantes que caíam do chuveiro. Olhou para o seu corpo e sentiu-se criança. Como quando era pequeno e ia para os campos de férias. Tinha saudades dos pais e a maldade alheia das outras crianças que tão insultuosamente lhe reconheciam as fraquezas, faziam-no sentir-se ainda mais sozinho. Estava imóvel, o seu corpo magro e nu. Sentia-se tão só como outrora mas não era mais criança e já não era o abraço de mãe que o seu coração carecia. Era esse outro que há muito havia declinado.
Resoluto, saiu do banho e vestiu-se. Correu até ao barco, apressado e ofegante. A viagem no barco e no metro deram-lhe o tempo suficiente para pensar nas palavras mais acertadas para lhe dizer. As palavras que o fariam perdoar-se a si próprio. Pedir-lhe-ia desculpa, dir-lhe-ia "bom dia", dar-lhe-ia um beijo na testa, dar-lhe-ia as mãos, dar-lhe-ia um beijo nos lábios, soltar-lhe-ia as mãos, abraçá-la-ia logo de seguida e ao seu ouvido dir-lhe-ia "Fica comigo. Amo-te.".

08 agosto 2008

They say she plays guitar and sings

O que te dar de presente de aniversário, queridíssima múltipla-amiga?

Não te daria o haggis nem este céu cinzento nem esta chuva nem esta humidade de onde te escrevo, mas dou-te esta flor de onde a colhi:


E esta música FUNKtástica (ou será FOLKtástica? ou ROCKtástica? ou SOULtástica? ou PUNKtástica? ou JAZZtástica? ou BLUEStástica?)

...para ti, com a promessa que one of these days we'll be 'Going to California'.

They say she plays guitar and cries and sings.
Ride a white mare in the footsteps of dawn.
Trying to find a woman whose never, never, never been born.
Standing on a hill in my mountain of dreams,
Telling myself its not as hard, hard, hard as it seems.

Muitos PARABÉNS!

06 agosto 2008

Um dia o Oito e Coisa abre uma votação só para mulheres (eu disse só para mulheres???)

Hoje é o dia.

Ana e as suas irmãs

A realidade imita a ficção que imita a realidade.


DINNN DÔNNN

paula-bobone--que-nao-ela-mesma à recepçao, paula-bobone-que-nao-ela-mesma à recepçao... Chamam-na a uma caixa de comentários, chamam-na a uma caixa de comentários.

vsff trrrruuu.

05 agosto 2008

Boas férias a todos!

Mulher moderna

A Planta (sim, a margarina!) lançou um creme para barrar e, ao que parece, a publicidade quer fazer passar a imagem de uma tipa modernaça, que pratica cardio fitness em casa. Ok! Eu já nem quero saber o que vai ela fazer à faca quando tiver engolido a fatia de pão. Mas alguém me explica o que faz ali o fato de homem, com a gravata e tudo, muito bem engomadinho à frente da mulher moderna que pedala? Será um fetiche? Será que, para além de barrar o pão, ela é tão prá frente que até consegue engomar enquanto pedala? Estou baralhada, confudida...

música do dia

(isto hoje nem parece Agosto, com tanta postadela)

Em deambulações pela blogosfera descobri este site muito útil para descobrir qual era a música da moda no dia do nosso nascimento, casamento, primeiro emprego ou qualquer outra data.

No dia do meu nascimento, a música do dia era leaving on a jet plane, de peter paul and mary. Sem dúvida apropriada para quem como eu gosta do verbo ir tanto como gosta do verbo ficar e estar.

Sorte ou azar

O final do dia de ontem fez-me sentir uma mulher de sorte e tudo porque, e por duas vezes, atravessei a ponte 25 de Abril. É! E consegui sair ilesa, sem um único arranhão, numa jornada em que contabilizei naquele curto trajecto pelo menos 5 acidentes dos 261 que aconteceram em todo o território vigiado pela GNR. Como uma coisa tão simples se pode transformar numa verdadeira roleta russa!
Saí incólume mas vi: vi dois dos acidentes e vi muitas BESTAS, verdadeiros animais a fazerem "bailaricos" com o que deviam considerar uma arma e muitas outras a ultrapassarem-me a velocidades inimagináveis. E perguntava-me: mas a velocidade máxima não é 70? mas se eu vou a 70...
E isto foi num dia que amanhecera nas rádios com números reveladores de uma carnificina nas estradas durante o fim-de-semana. Dizia-se não haver explicação para tais fenómenos. E as explicações dariam uma monografia das grandes...
Não querendo ilibar ninguém nem ser simplista, pareceu-me ouvir uma notícia na semana passada acerca do não funcionamento dos radares por falta de pagamento à empresa prestadora do serviço. Quando será que se entende, neste país, que há notícias que não o deveriam ser? Num país de malcriados crónicos ao volante, esta é, de certeza, uma delas.

Livro de reclamações

O google, esse grande maná, traz-nos sempre pessoas que vêm ao engano.

Procuram informações úteis: "minete duplo", "o que os chineses inventaram para o mundo"

Soltam pedidos de ajuda lancinantes: "como ter auto capacidade"

Deixam-nos questões incompletas: "cartas de amor falado sobre dificuldade"

Apresentam dúvidas legítimas: "quantos anos demora a prescrever uma dívida às finanças"

e até nos fazem confissões inesperadas: "eu matei um et"

Anunciação

Ao almoço com o meu pai, em que ele repetia a sua dificuldade em ser avô, disse-lhe que no dia em que lhe nascer uma neta ele mudará de opinião. A sua cara iluminou-se com a perspectiva de poder fazer a viagem ao passado com ganchinhos, salopetes e passeios de mão dada com uma menina dengosa.

Ao jantar houve alguém que me depositou na mala uma pequena escultura de uma mulher com criança ao colo. Não sei quem foi, mas não consigo de deixar de esperar com ansiedade o fim do mês.


Mother and Child, Henry Moore

A bela libélula


A bela libélula pelos montes andava
Cantava e voava, contente estava!
Até que um raio enorme todo o monte iluminou, VZZZZZZ
E ouviu TRA TRA TRA CATRABUMMM
Ai ai ai, e agora?
A bela libélula tinha medo de trovoadas.
O seu coração depressa batia
As antenas tremiam,
as asas suavam
Tinha frio e calor,
pânico e torpor.
E o outra vez o raio, VZZZZZZ
E de novo o trovão, TRA TRA TRA CATRABUMMM,
Ai ai ai e agora?
Encheu-se de coragem,
três vezes respirou
UMM, Ahhhh, UMMM, Ahhhhh, UMMMM, Ahhhhhhh
Fugiu de debaixo das árvores pois lembrava-se que a sua mãe lhe tinha dito
que quando há trovoadas não se pode estar debaixo das árvores.
Foi para o meio do campo
e cantou:
Tra tra tra, catrabum bum bum bum,
tra tra, bum bum
bum bum bum, tra tra tra ...bum tra tra tra
O suor desapareceu
as antenas pararam
o coração acalmou
e cantou, cantou
até que a trovoada
....se afastou.

Tra tra

tra

Catra

Bum bum

bum


bum...

Ave Berlusconi

Menos mal que estamos na Europa civilizada, que não temos cá nenhuns Chavez nem Fideis, e que temos exércitos que nos guardam e protegem, virgem santissima, desses imigrantes que para cá vêm aumentar a criminalidade e dar mau nome ao país. Diz o ministro da defesa italiana que a sua presença nas ruas faz medo e reduz o número de crimes. Só não podem é estar perto dos sítios turisticos, porque isso é mau para o negócio. Acima de tudo, as aparências que iludem. Ou será as iludências que aparudem?

Ave Bush

Aqui chegam-nos de vez em quando curtas notícias como esta que dizem que morreram tantos, no dia tal, por causa de uns bombistas, ou tiros ou ataques de tal e tal grupo.
Do outro lado, leio as histórias dos refugiados que esta guerra causou, nos mais de 5 anos que levam as tropas dos Estados Unidos e aliados internacionais a defender a paz no mundo e a democracia no Iraque. Como esta mulher, que era directora da biblioteca na Universidad Nacional de Bagdad, ou a destes meninos e meninas que já não conseguem acreditar na felicidade.
Em nome da democracia, são quase 5 milhões as pessoas que tiveram de deslocar-se ou refugiar-se para salvar as suas vidas.

04 agosto 2008

Agosto

Agosto chegou ao oitoecoisa, e como muitas das múltiplas estão a banhos, abrandará a postagem nos próximos dias. Mas como muitos leitores e leitoras estão de férias, também não se notará muito.

Boas férias
Buenas vacaciones
Happy Holidays
Bonas vacances

03 agosto 2008

Highlands

Será que se eu levar a guitarra portuguesa ou um cavaquinho eles deixam-me entrar na festa?

E, outra coisa, very important:

Ness, eu vou apanhar-te no teu loch! E para mais, com uma garrafa de scotch na mão, vai ser trigo-limpo-farinha-amparo. Ah pois vai! Desde Arthur Grant, até à chegada da oitoecoisa às Highlands, o mistério resolver-se-á.

imagem aqui

a rampa

Continua o relato (muito livre) da A., que sempre teve a mania que era valente. E era mesmo. Ou ainda é.

Eu subia todos os dias aquela rampa, uma rampa que parecia infindável, mas que representava a Meca para mim. Chegar até lá era um acto heróico, dada a inclinação e a minha condição fisica. Mas chegava sempre.

O B. (o chefe) estava sempre atento à minha chegada e fazia questão em diferenciar o meu tratamento em relação aos restantes: um gajo bruto como as casas, boçal e taberneiro, mas que fazia questão e gala em tratar-me bem. Tudo isto porque um dia me deram uma banhada e eu não me deixei ficar. Cheguei, momentos depois, furiosa, e enfrentei um gajo que, para me chatear, sacou de uma ponta-e-mola, colou-a ao meu pescoço, e eu mesmo assim mandei-o para todas as partes que me ocorreram, que-eu-não-tenho-medo-de-ti-eu-faço-te-a-folha e etc. A história correu pelo bairro, mas no outro dia lá estava eu, como se nada fosse. E eles de olhos ainda mais esbugalhados que o habitual, 'dasse que a gaja tem tomates'. Nunca mais me chatearam desde esse dia e comecei a aparecer lá sózinha a qualquer hora do dia ou da noite, fizesse sol ou chuva, frio ou calor. Tinha ganho o respeito por entre a malta do dirty boulevard.

Este espisódio marcou, então, o começo do tal tratamento preferencial. Se a 'cena' ainda não tinha chegado, mandavam-me esperar num café: "chavala, aguenta ali e bebe um café, que depois o A. vai lá chamar-te, não te preocupes, a cena é bem aviada para ti. A gente sabe que tu és certinha e anda aqui muita bófia". E assim era. Era realmente bem aviada e as banhadas nunca mais tiveram lugar.

Dando um salto enorme no tempo, o último dia em que fui ao dirty boulevard, decidi comunicá-lo ao B.: "sabes, hoje é a última vez que aqui venho. Não me vais ver nunca mais". Não trocávamos muitas palavras, mas naquele dia ele dissse-me: "Ai é?". "É pois". "Então boa sorte, miúda. Tu és valente". Apertámos as mãos com força. Eu cerrei o meu punho e pousei-o no coração. Ele sorriu.

Desci a rampa com duas quartas no bolso, sabendo que eram as últimas que ia consumir. Ardiam-me nos bolsos como brasas e palpei-as várias vezes para saber se eram concretas e reais ou se tudo aquilo não passava de um sonho. Eram, de facto, concretas e reais e a despedida foi muito triste e, como sempre, soube a pouco. Mas eu estava mesmo decidida, numa daquelas decisões que representavam todo o culminar de um processo de decisões falhadas e adiadas. Fui o caminho todo a repetir: 'nunca mais nunca mais nunca mais nunca mais...'.

Naquele dia desci a rampa sem olhar para trás. A certeza do que queria fazer com o resto da minha vida tinha - finalmente- chegado: nunca mais subi aquela rampa. Foi a decisão mais sensata que alguma vez tomei. É possível tomar decisões dessas. Eu sou a prova disso".

P.S. O mais impressionante é que não consigo ter raiva do B. Antes, sinto pena. Imagino-o ainda no cima da ladeira a controlar os seus vendedores, a bófia, a cientela sem dinheiro, a desgraça que trazia quotidianamente presa a si e que lhe deve, muito provavelmente, ter custado muitas infelicidades.

01 agosto 2008

Simposium terapêutico

Melancóica? Triste? Cansada? Desanimada? Angustiada? Com sensação de vazio? Não pense mais nisso.
Posologias variadas e modos de administração ao gosto do freguês. A única condição é ter a inspecção periódica obrigatória ao corpo em dia.
Apesar da depressão ter uma ocorrência duas vezes superior em mulheres, também serve para homens.

Trocadalho do carilho

Hoje saí do gabinistro do minete tão mal dispona da costa...