16 setembro 2010

Questões de género

A Ritti disse que os homens eram uns acagaçados

Para qual dois dois me inclino? Para o JBP.

Se sou machista? Talvez seja. Mas isso é poque sou, antes do mais, mulher. E uma mulher quer um homem. Macho, seguro de si e insinuante. Chapéu levemente inclinado sobre os olhos misteriosos, em fato de bom corte. Que leva o cigarro à boca num manear de mão quase erótico. Com mãos fortes que nos levam para o dance floor com o mesmo garbo com que desfazem a cara a algum pulha (ok, aqui sou claramente influenciada pelos anos 50, criticados pela Ritti em termos de moda feminina, mas percebem a ideia).


A sério, desde há uns tempos que dou por mim com pena dos nossos homens. Misturaram-se direitos de género com direitos de personalidade. Confundiu-se autonomia relacional com independência total. E os pobres estão sem rumo, à deriva! Foi-lhes dito que nós já não precisamos mais deles, que “ser homem” era um conceito horrível e reprovável a todos os níveis. Nós dizemos que gostamos deles sensíveis e que lavem a loiça. Perante isto, eles deixaram de saber o que fazer, como agir, o que pensar. Vão às compras, à depilação, à manicura, lavam os pratos e, mesmo assim, não fazem nada bem.

O que nos falta, a todos? Bom senso e bom gosto.

10 comentários:

Manyfaces disse...

ahhh que post tão certeiro... é isso mesmo...

na prise és bestial disse...

grande posta, oito.
parece que vivo rodeada de homens saídos de filmes franceses, que sentem e discorrem longamente sobre o seu papel no universo, que transformam a vida na matéria para ruminações metafísicas e existenciais infindáveis.
onde andam os homens fortes, que sabem virar a mesa de um modo inteligente, homens fortes que não precisam de apregoar a sua solidez porque conhecem bem o seu grau de dureza?
(homens depilados e manicurados, no corpo ou na alma, não obrigada)

sem-se-ver disse...

subscrevo inteiramente, e é o meu discurso há anos.

8 e coisa 9 e tal disse...

Ena, e eu que achava que ia ser massacrada aqui na caixa! obrigada!

querida prise, eles até andam por aí, como segredos bem guardados...)

Manyfaces disse...

não andam nada... o Macho dos anos 50 está nas lonas... salvam-se uns exemplares em fuga que deviam ser colocados com os Linces sob protecção na serra da Malcata. Humphrey Bogart? isso é material que já desapareceu... lamento. Tal como os Linces faltou-lhes a caça nos seus habitats naturais e não aguentaram a pressão do Macho dos anos 90 ou 00... Agora nicles, só nos filmes mesmo...

sete e pico disse...

ai meu deus como isto anda. tao perdidos que andamos todos e todas. pois eu tenho que dizer que estou de acordo com a rititi (continua a ver um grande controle social sobre o corpo das mulheres e medo às suas novas formas de ser) mas também nao posso deixar de dar razao ao JBP quando, entre as muita batacoadas que diz, afirma que os medos sao de todxs. É verdade que andamos todos e todas aos papeis sem guioes muito definidos e que isso nos confunde.

Eu da minha parte, nao posso estar mais longe das minhas multiplas. odeio homens machos com cara de maus, demasiado assertivos, demasiado seguros, homens que utilizam a violencia como forma de resoluçao de conflictos, que estao sempre em luta de galos para ver quem teo o melhor argumento ou a piada mais gira. Nao suporto homens que nao sabem cuidar, de si, dos outrxs da casa, e que sao capazes de estar em casa e nao mexer uma palha.

Nao os vejo como pobres, ainda que às vezes também tenha tendencia para sentir pena deles. Mas se as mulheres levamos tanto tempo a tentar novas formas de ser agora é a vez deles de pensarem em como gostariam de ser, e isso é um trabalho que têm de fazer em vez de lamentar-se de que as mulheres já nao somos assim nem assado. Enfim, qualquer dia vai uma postinha sobre isso.

gerou-se a confusão natural disse...

Apoiado, sete! De homens cheios de pêlo no cérebro estou eu farta! Virís, em permanente competição metafísica, sempre vítimas de uma espécie de cabala feminino-feminista que, na ponta do fio, é até a causadora de todos os seus desnortes ontogénicos.

8 e coisa 9 e tal disse...

Lol, já estava à vossa espera! Meninas, vocês têm de fazer um refresh ao conceito de macho. Macho não é homem das cavernas nem galo da madeira. Macho é aquele que, justamente, sabe cuidar de si e dos outros. Sabe o que diz, porque diz e quando o deve dizer. Da casa tb há-de saber os mínimos, da mesma maneira que nós deixamos de saber pregar botões como deve ser para pregar menos mal pregos e ficar com as mãos lixadas dos parafusos.
Agora, tenho pena deles, sim. Como diz o manyfaces, estão nas lonas. Quem é que aguenta isto, em todas as relações, durante toda uma vida adulta?: “Queremos e nao queremos estar com eles, queremos companheiros mas nao confiamos na capacidade que eles têm de o poder ser, sabemos que mais cedo ou mais tarde sempre nos deixam na mao. Eles têm imensas coisas que nao conseguimos compreender, ou sao demasiado sensíveis e ineptos para a vida práctica ou sao demasiado pragmáticos e falta-lhes sensibilidade para tornar a vida mais bonita e mais humana, raramente conseguem um bom equilibrio entre o amor e a vida quotidiana. Andamos detrás deles, queremos que eles andem atrás de nós e “eles” e o amor sao um dos nossos monotemas favoritos; sao longas e constantes as dissertaçoes sobre os mistérios e o erros constantes do cromossoma Y. No fundo, entregamo-nos loucamente ao amor mas reservamos uma mao cheia de bolotas que nos fazem sentir seguras. Quando estamos entre amigas, pomos as bolotas todas em cima da mesa e olhamos com satisfaçao o arsenal conjunto que nos permite cair nos seus braços sem ficar nas suas mãos.” IN http://oitoecoisa.blogspot.com/2010/07/quarenta.html

É que, juntamente com os bracinhos, vêm as mãozinhas. Se não, não são braços. São cotos. Nossos e deles. E isso dá pena, muita pena.

Manyfaces disse...

Ouvi dizer que combinação certa é "um Mister na Mesa um Louco na cama"....

8 e coisa 9 e tal disse...

grande marco!! talvez,talvez, mas a combinação certa também é: homem E civilizado.
ontem vi uns grunhos que quase me fizeram arrepender de ter escrito isto. urgh!