27 julho 2009

Assalto cerebral

A monogamia é uma equação matemática. A monogamia é uma decisão de manipulação dos afectos para atingir determinado objectivo. Ele pensa, eu quero ficar com esta mulher, ela não vai gostar que eu ande a brincar com outras e deixa-me se o fizer. e se o fizer, chegará outro macho e tomará o meu lugar. Eu não quero isso, logo sou monogâmico. A monogamia é pois, para os dois sexos, hetero, bi ou homo, uma decisão racional, de controlo absoluto do corpo físico com base num mandamento simples. Não molharás o pincel na minha mulher enquanto eu não molhar o pincel na mulher de outrém.
Na dualidade monogamia versus poligamia não podem caber factores definidos pelo campo emocional, senão vejamos, há sempre alguém tão bonito quanto nós e há sempre alguém mais bonito do que nós, com o sorriso xpto, o corpo xpto. Há sempre alguém que também tem tantos ou mais pontos em comum com o nosso parceiro, para além de nós. Há sempre alguém tão ou mais simpático, tão ou mais divertido, tão ou mais maturo, tão ou mais inteligente, tão ou mais engraçado, tão ou mais interessante. Coisas que se descobrem num primeiro olhar, coisas que se antevêem e que requisitam a nossa atenção para um segundo olhar e para a vontade de descobrir outras.
A monogamia morre quando deixa de ser um processo racional baseado num objectivo definido. A vida é feita de momentos. Vou curtir este momento que agora me está a agradar e tentar não o estragar. Esta é a decisão. E sem esta decisão, a monogamia definha e morre.
Acho que a definição de amor cabe dentro destes parâmetros, em concordância com a de monogamia. Tu sabes e tens a certeza que amas quando o teu cérebro entrou já neste processo de racionalizaçao, que implica o compromisso emocional e o sacrifício do corpo, sem pedir licença para se instalar.
No entanto, deixo a pergunta, haverá hipótese de existir alguém que é monogâmico por cegueira amorosa, por loucura física direccionada somente e apenas para uma única pessoa?
I mean, a um homem casado com Mónica Belluci, passar-lhe-ia sequer pela cabeça ter vontade de ir molhar o pincel a outro lado, ou a uma mulher casada com o Javier barden? Digam de vossa justiça.

N.A. : A Mónica e o Javier podem ser trocados consoante as vossas preferências.

4 comentários:

Leo Mandoki, Jr. disse...

gosto do penteado do Barden no filme Este País Não é Para velhos...A Monica ta gorducha, mas ainda tem a boca mais bonita de Itália. E a Liv Tyler? UI!
eu sou plurigamico. Não entendo nada dessa merda chamada amor.
beijos

na prise és bestial disse...

Tal como tu, acho que o equilíbrio instável da monogamia se baseia numa decisão racional. Mas não me parece que o risco de molhar o pincel dependa da beleza da pessoa que está ao nosso lado. Na verdade, não sei bem do que depende, mas talvez possa ser da capacidade de sermos livres acompanhados. E isso não é para qualquer um.

sete e pico disse...

podes crer na prise, ser livre nao é fácil e ser livre acompanhado muito menos.

querida oito, o javier barden ou outros como ele, podem ser muito bonitos por fora mas... e se na cama a coisa nao se der? nao há monogamia que aguente

Manyfaces disse...

Clap, clap, grandissimo e belissimo post...