13 abril 2009

Fuuuuu

Hoje tudo é pequeno. A minha cadeira é pequena, o meu espaço, pequeno, a minha vontade pequena, o meu coração - já nem sei dele - pequeno, o meu estado de vigília, pequeno, o meu sentido de pertença, pequeno. A noite passou-se curta, os teus abraços nem os senti - não existiram, eu é que finjo que sim para ver se me engano - o teu corpo nem o cheirei - estavas lá?- a tua voz nem a ouvi - não me lembro a que soa.

Da minha janela vejo eucaliptos que dançam ao vento, sobre uma nesga de céu cinzento e triste. Como eu. So que não tenho eucaliptos e para dançar já não tenho força.

Vêm-me à memória palavras que me sussurraram, outros, algures. Tento imaginar como seria bom que tivesses sido tu a faze-lo, mas já não me recordo como. Há muito tempo que deixamos de existir enquanto Um, para passarmos a dois, preto e branco, doce e amargo, óleo e água, ácido e base, tão diferentes e distantes.

E os eucaliptos não páram de dançar.

Continuo contigo? Que mais tens para mim, a não ser uma cohabitação estéril de desejo e vontade, convenientemente mascarada de 'liberdade', que tu tanto dizes aprecias? Que mais queres levar de mim, tu que já levaste tudo que tinha e não tinha?

E o vento não cessa de soprar.

5 comentários:

Izanami disse...

Adorei este post (nunca comentei aqui, mas não resisti desta vez). Gostei mesmo.

Anónimo disse...

Escute o vento...Páre.Grite, com ele, com o vento, com todos!...Mas decida, para quando vento passar, ainda a encontrar.
Haverá hipótese de recomeçar?
Há ainda hipótese de voltarem a ser Um?
Se a resposta for não...vá...com o vento e encontre a sua própria liberdade!

foi dançar a bossa nova disse...

“the answer, my friend, it´s blowing in the wind, the answer is blowing in the wind”

Anónimo disse...

Reconheça a grandeza das e nas coisas pequenas. Deixe que o vento sopre e sussurre. Mas vá com ele apenas e só se quiser. E dance. Dance muito. Com as forças que lhe restarem. Nesse processo vai encontrar outras de cuja existência nem desconfiava. Faça-o sem medo da liberdade verdadeira. Nem da verdade.

gerou-se a confusão natural disse...

E que bem escreves! Quão verdadeiras e simples são as tuas palavras!Obrigada.