21 dezembro 2007

Sexo, mentiras e telemóveis

Saladas, uma pequena aldeia do interior, Argentina. Chega um motorista novo à escola, fresco, novo, com boa apresentação. Vem da capital, de Buenos Aires. Toda a gente repara nele.
A sua função é levar e trazar as professoras da escola primária e secundária das suas casas para o trabalho, fá-lo sempre com aprumo e nunca falha um horário.
Uma das professoras começa a namorar com ele, encantada não só com os seus dotes viris mas também com os números novos que ele lhe dá a experimentar. Novas posturas, maneiras de fazer e estar. Descobre uma mulher que não sabia ter dentro de si, revela-se, desabrocha. Sente-se feliz, na plenitude da idade e na abertura da sua sexualidade.
Deseja fazer vida com este messias da intimidade, mas ele estranhamente é-lhe fugidio - ela pensava que ele a desejava tanto quanto ela. Haverá outra, pensa em desespero.
Admirável mundo novo, em que basta uma palavra para se descobrir tudo sobre o outro. A password do computador e do mail. Quando acede ao abre-te sésamo descobre o que nunca poderia ter imaginado.
Não havia outra - havia mais 5. Se juntasse todas as suas amantes podia ter uma equipe de volei.
Chocada, a namorada não pára de abrir fotografias, umas atrás das outras. Reconhece o falo do seu homem em todas. Quase todas. As mulheres são as professoras que transporta diariamente com afã e aprumo, também elas apesar de casadas rendidas às suas novas acrobacias da cidade.
Despeitada e desesperada, alinhava a vingança. Copia as fotografias e guarda-as, nem sabe se tentar o confronto com o satã de Buenos Aires.
Decide-se e envia as provas para toda a gente da aldeia e arredores, incluindo a comunicação social. Rebenta o escândalo, as mulheres são apontadas a dedo, os maridos deixam-nas, o filho de uma delas dá entrada no hospital com um ataque de nervos depois de ouvir os comentários dos amigos ao corpo e prestação sexual da progenitora.

Saladas não estava preparada para isto. Argentina não estava preparada para isto. O mundo inteiro abre a boca de espanto.

Sex makes the world go round.

(descobri um blog onde se publicaram as fotografias do chofer a dançar com as professoras. recuso-me a divulgá-lo para não contribuir para a já demasiado extensa devassa da privacidade dessas mulheres.)

4 comentários:

é o costume disse...

Das noticias, aprecio particularmente o "despechada"...

E como se diz na Argentina "Viva La Chorga".

sem mais comentários

-pirata-vermelho- disse...

Se lhe parece não dever contribuir para aquilo que designa por 'devassa da privacidade', para que publica este texto (desprovido de alcance ou interesse) e dá as pistas todas para aceder ao vários sites que publicam as tais imagens?

8 e coisa 9 e tal disse...

não sabia que havia "vários sites" que publicam as imagens. gostei muito da notícia, gostei de imaginar aquelas 6 mulheres felizes e concretizadas. No fundo, todos nesta história foram honestos consigo mesmos, ou assim me parece, menos a despeitada que queria mais do que lhe era permitido.

toda a gente tem um segredo. algumas têm muitos.

dorean paxorales disse...

Quando se mexe onde nao se deve descobre-se o que nao se quer.

"Feliz e concretizado" ele nao estaria, concerteza.