11 dezembro 2007

Feliz Natal

Cada vez mais se aproxima a época em que se deseja bom natal sem já saber muito bem o que é de facto ou deixa de ser o natal; se é prazer, obrigação, fachada, sinceridade, se quê... O consumismo do Natal é um dos aspectos mais falado nestas épocas, e nos jornais acompanha-se de perto os gastos estimados dos consumidores portugueses em prendas para as crianças, prendas no seu total, etc.
Aquilo que eu gostava mesmo que o pai ou a mãe natal, o menino jesus, ou os reis magos trouxessem este ano é que não se consumisse tanto, que toda a gente pensasse que há muitas outras formas de dar presentes, de dar afecto, de dar amor, e começasse a dar tempo, começasse a dar-se e não só a traduzir-se em objectos.

22 comentários:

zamotanaiv disse...

Dar tempo? isso sai muito caro! é que eu recebo à hora!
Há quem receba à palavra, não há cá palavras ternas! amor? isso vai numa comédia romantica em DVD.

Que comentário mais idiota!
Façam favor de apagar este gajo.

dizia ela baixinho disse...

concordo com tudo o que a minha múltipla oito disse, sobretudo que começa o tempo em que 'começa-se a dar tempo, começa a dar-se e não só a traduzir-se em objectos'.

outro dia vi uma reportagem sobre o 'banco do tempo', que já tem algumas 'agências' espalhadas pelo país. o projecto ainda está numa fase relativamente embrionária, mas a ideia não deixa de ser interessante. um dia falarei sobre isso.

de facto, o natal causa-me arrepios vários, sendo que a 'face' que mais me transtorna é precisamente aquela ligada ao consumo. lance-se pois o o programa de nacional de defesa do bacalhau em extinção. eu cá dispenso os meus embrulhos e reverto tudo p esse fundo.

abraços!

nerd sem registo disse...

já uma vez, tive a ideia peregrina, no meu ex-serviço, de dar, como prenda de casamento a uma pessoa que estave a recibos verdes, uma periodo de férias a partilhar a distribuir por todos os outros funcionários...

ou seja, cada um metia 1/2 dia de férias e vinha trabalhar nesse meio dia.

recusada pelo dirigente do serviço por não ter entendido nada do que estava em jogo.
recusada pelos "colegas" porque dar é bom, mas receber é melhor.
ficou-se tudo nos 3 ou 4 dias por "especial favor" do dirigente

fica aqui a sugestão para quando os tempos mudarem...

jota disse...

este blog tem tão poucos erros para posts tão bons que um "começa-se" em vez de um "começasse" fica muito estranho.
ou estou enganado?

na prise és bestial disse...

está muito certo, começa-se é outra coisa. Mude-se a grafia e arquive-se a reclamação.

8 e coisa 9 e tal disse...

A gerência trata já disso e pede desculpa pela confusão(e alguma ignorância, pronto..) mental linguistica que lhe atravessa frequentemente a carola. Arquivado na prateleira A(zul) E(rros) O(rtográficos).

8 e coisa 9 e tal disse...

essa ideia da prenda de casamento é muito gira, nerd sem registo, e apesar de não ter dado os resultados que tu querias acabou por dar uns dias à tua colega e alguma sensibilização ao chefe.

O banco do tempo também é um projecto que eu gosto, dizia ela baixinho, avança-lhe com a posta. a organização Graal há algum tempo que avançou com esse projecto, em Lisboa e Coimbra, e apesar de não ter um grande impacto acho que vão tendo alguns bons resultados.

Na forma como vivemos o nosso mundo moderno (ou pós-moderno) o tempo é o presente mais precioso que alguém pode possuir e é aquele que descaradamente nos roubam quando nos oferecem dinheiro a troco de "dedicação exclusiva", ou "disponibilidade para viajar" ou "dedicação e compromisso com os objectivos e a missão da empresa".

dizia ela baixinho disse...

apoio o nerd sem registo (para ficar com registo novamente, basta introduzir no nome de utilizador o nome da conta gmail associada ao nick em vez do nick + respectiva password), achei a ideia fantástica.

eu por acaso entendi o começa-se no presente, como um processo que já estaria a ser iniciado. sou uma utópica, é o q é.

nerd sem registo disse...

hmmmm...

o que o chefe queria ter era a prerrogativa de DAR, magnanimamente, como quem se dispõe um pouco a olhar para baixo as suas formigas, o tempo de que era dono e senhor... não aprendeu nessa altura e continua sem aprender.

os colegas apenas revelaram o mesquinho que invade as suas existências.

a colega casadoira, olha, ficou atrapalhada com a ideia, quiçá por saber mais do que eu e não querer confrontar a realidade com a utopia.

dizia baixinho... ensinar o padre nosso ao vigário??? ;)

dizia ela baixinho disse...

nerd sem registo aka nerd,

ou não fosse eu uma nerd tb. ou pensas que tens a patente da nerdice?! querias mais nada!

(põe lá o user como deve ser q isso de não teres registo não está com nada)

8 e coisa 9 e tal disse...

e já agora, há alguma alma caridosa que me explique a diferença entre começa-se e começasse? dou voltas e não consigo entender...

António Pires disse...

Se eu começasse («começásse») agora a explicar-lhe a diferença, da próxima começa-se («coméça-se») já a perceber...

Exemplo 1: Se você começasse um post com a expressão «bom-dia» seria um um post bem educado...

Exemplo 2: Começa-se um post com um «bom-dia» e isso é uma prova de boa educação...

Não sei se ficou claro, mas é já um começo ;)

dizia ela baixinho disse...

começasse - no teu caso, conjugaste o verbo na 3ª pessoa do pretérito imperfeito do modo conjuntivo.

por outro lado, começa-se é a conjungação do verbo no presente do indicativo com o pronome reflexivo, sendo que um pronome reflexivo são pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem como complemento directo ou indirecto, referem-se ao sujeito da oração: se, me, te, lhe, nos, vos etc.

trata-se, portanto, de uma questão de tempo e conjugação verbal e a diferença é que começasse exprime correctamente a ideia que querias passar, ao passo que começa-se - palávra homófona - é, portanto, um erro (muito frequentente, aliás) de conjugação.

sempre às ordens, querida múltipla.

dizia ela baixinho disse...

palavra, oops.

foi dançar a bossa nova disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JPN disse...

pois parece-me que no sentido do que está escrito nem o começasse nem o começa-se, são bom começo (e fim) para a ideia que me parece ser a de "que se começasse"...

mas admito que não e sei que as oito e coisas têm pontaria nestas coisas da escrita.

o que eu queria mesmo era reforçar e elogiar a ideia do Nerd. Só mesmo de um espírito generoso, alturísta como ele. Por vezes parece um pouco rezinga, principalmente quando vai ver espectáculos de oito horas, mas é um jóia de moço!

abraços a rodos

JPN disse...

"uma" jóia de moço, claro.

8 e coisa 9 e tal disse...

é sim senhor, assino por baixo no rezingão. E na jóia de rapaz, também, pois então, é um querido e um idiota, tem muitas ideias e algumas tão boas como esta.

Quanto à questão ortográfica... há alturas em que uma pessoa se arrepende de abrir a bocarra. Tive de ir logo tomar um chá de tilia duplo para acalmar os meus nervónios que estavam desorientados com os conjuntivos e os reflexivos que se põem a trás ou à frente dos outros maganos lá da terra da gramática, ou o caneco e o caroço, (que no belogue tem de haver uma certa compostura, não se pode arrojar(eia!) assim bojardices, ou umas palavras quaisquer, (sem é-ésse, note-se).

Portanto, depois das vossas aclarações, do chá de tilia e de reflectir, acho que o "começa-se" parece indicar que a acção está a acontecer neste momento ou que está a começar a acontecer.

O começasse é assim mais, como dizer, eventualmente, um dia pode ser, ou seja, é assim como se fosse mais para o futuro, para qualquer coisa que ainda não é, como se fosse algo ideal mas longicuo (pode ser eventualmente mas ainda não é).

Dei-me conta também da forma de dizer cada palavra e a acentuação é distinta: cu mé ça se (começa-se) e cu me çá se (começasse) e assim já lhe apanho melhor o sentido.

e só por curiosidade, dizia ela baixinho, trocaste o simposium terapêutico como livro de cabeceira pela ultima edição revista e aumentada da gramática da lingua portuguesa? eu infelizmente a gramática é para mim como o diário económico, um campo novo ainda não codificado e compreendido, por tanto, assustador.

8 e coisa 9 e tal disse...

perdão, longínquo. O raio do portunhol, apesar de ser a lingua do futuro, só me faz passar vergonhas...

8 e coisa 9 e tal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dizia ela baixinho disse...

não, minha querida oito. eu sou uma nerd em várias áreas. a gramática pode ser uma delas também.

mas como sabes tu que o simposium terapêutico é meu? pertencia às escolhas da oitoecoisa, remember ;)?

p.s. viva a d. hermenegilda, a minha professora primária, que tão bem me ensinou o português. já cá não está entre nós, mas não posso deixar de referi-la pq ontem me lembrei muito e muito da senhora que contava histórias como ninguém e que inaugurava as aulas com a 'corridinha das contas' (uma de somar, outra de subtrair, outra de multiplicar, outra de dividir). era uma espécie de campeonato de ciclismo (com direito a camisola verde, encarnada e amarela) com troféus afixados e recortados em papel de lustro. those were the days...

8 e coisa 9 e tal disse...

querida dizia baixinho, estava convencida de que tu te tinhas referidos ao simposium numa caixa de comentários. Agora fiquei confundida, quem seria a do simposio? Vai na volta até sou eu, com tanta multiplicidade confundo-me!

Uma dona hermenegilda, apesar de ter um nome díficil, é uma benção na vida. eu da minha professora primária tenho poucas recordações, tinha uma régua e batia mais aos meninos pobres, os bons estavam à frente e os maus atrás e quando alguém lançava um peido ia cheirar o rabo de todos e todas. E lembro-me de que era contra o 25 de abril e eu ia repetir para as aulas o que ouvia em casa e que ela já não me podia ouvir, tivesse eu tido o azar de estar na fila dos meninos pobres ou mais atrasados (coincidiam estas duas categorias) e ainda tinha levado umas reguadas.