30 outubro 2007

Pergunta simples

Como se sabe se o amor acabou?

29 comentários:

simples disse...

se fosse por alturas do ciclo/secundário, a resposta seria do tipo "o meu amor é como o fósforo, só dura enquanto há pau".
depois de uma licenciatura (ante ou post Bolonha), pós-graduação ou seja lá o que for, o "vil metal" começa a ter peso influente.

acabou ao mesmo tempo que acabou o café, numa manhã de sábado em que se grita para "the significant other", porque é que deixaste acabar?

acaba num dia de chuva em que já não se ouve, não se quer ouvir, "ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid"

mas a resposta mais simples para uma pergunta simples poderá ser "quando se deixa de sorrir"

alors vraiment avec le temps on n'aime plus

mas isto sou eu a dizer, que amor só tenho um e ainda não acabou :)

foi dançar a bossa nova disse...

Toma lá outra pergunta simples: o que é o amor?

acto contínuo disse...

"O que é o amor? -É uma rua muito sossegada onde só se passou uma vez." Mário Cesariny e João Rodrigues, 1958

surrealismo de cadáver esquisito

foi dançar a bossa nova disse...

bonito, muito bonito! e dá para lá ficar? nessa rua muito sossegada?

JPN disse...

o amor nunca acaba. é como a parvoíce. infindável.




[e confesso, acho mais graça à pergunta, quando é que ele começa?]

foi dançar a bossa nova disse...

Bingo para o senhor da silhueta distinta ali acima!!

manyfaces disse...

Lembro-me de uma tarde a ter encontrado na baixa (como na canção do JP). Fomos ao Santa Cruz beber um café. Não nos víamos há 10 anos. E tanto tempo depois houve um momento em que me apeteceu dizer-lhe (mas não disse): o nosso amor foi bom, foi demasiadamente bom.
Não é possível esquecer as tardes em que a cama pegava fogo connosco lá dentro. Os lençóis ardiam. Não é possível nem eu quero esquecer. O Amor não acaba nada... Devo convenientemente achar que acabou só porque nos separámos, só porque já não faz qualquer sentido sermos amantes agora? Deve o amor condicionar-se a estas miudezas? Já não te amo porque não me apetece viver contigo, não me apetece fazer amor contigo... Tolice... Sei bem qual é a cartilha que está instituída: Se agora amas outra, aquela deve deixar de ser amada, deve ser imolada e esquecida e se for com uma pontinha de ódio tanto melhor... Deves sufocar em éter o amor que restar. Não aceito essa tirania da conveniente matança do outro amor. Se hoje ela me perguntasse, ainda me amas? Eu diria: claro que te amo... Por que raio teria deixado de te amar? Pois se ainda hoje sinto o fumo daquele incêndio...

foi dançar a bossa nova disse...

Querida Oito, o Manyfaces diz - de uma maneira muito bonita - que “O Amor não acaba nada... Devo convenientemente achar que acabou só porque nos separámos (…)?"

A pergunta (bem mais complicada) não deverá ser o que separa as pessoas quando foi o amor - e não qualquer outra coisa, ainda que parecida ou confundível - que os juntou?

JPN disse...

se ela - todas as elas com quem me joguei esse jogo do amor- hoje me perguntasse se eu ainda a amo, eu não sei se teria coragem para dizer que nunca a tinha amado. e não era com pena dela claro. era com pena de mim.

curse of millhaven disse...

não sei. mas simplesmente sabe-se.
:)

dizia ela baixinho disse...

true love never dies.

no baile da d. ester disse...

manyfaces, não me parece que haja espaço apenas para um amor de cada vez dentro de nós, bem pelo contrário. o amor não dura apenas durante o tempo da realização física, começa muito antes e pode acabar muito depois - pode mesmo durar para sempre. cqd, com o seu comentário.

eu cá sei que o amor, romance, affair, o que quer que seja, acabou quando me dá o nervoso miudinho e já estou a pensar quando e como me piro dali para fora.

8 e coisa 9 e tal disse...

JPN, o amor não é como a parvoíce, infindável. O amor é uma coisa rara e preciosa. Se acaba ou não, eu não sei. Não sei onde estão as fronteiras do amor e do desamor ou da sua ausência.

Claro que dentro desta pergunta, tão dolorosamente simples, cabem muitas outras perguntas e dúvidas.

Talvez seja como o manyfaces conta. Mas mesmo aí, o amor transforma-se noutras coisas - nalguns casos, as pessoas perdem-se umas das outras; noutros casos, ficam ainda e sempre agarradas a uma ideia de amor que se vai transformando devagar.

JPN disse...

oito e coisa, não é só a parvoíce que será infindável. vivemos num mundo de recursos finitos em termos materiais mas de uma plateia de recursos infindáveis em termos espirituais, destes, podemos classificá-los em tantos, por exemplo, ideológicos. na minha modesta opinião, e embora paradoxalmente eu ache a tua posição sobre o amor incrivelmente mais sedutora do que a minha eu temo que continuarei amarrado à minha maneira de o vivenciar, o discurso sobre o amor - e é disso que se trata oito e coisa, dos discursos sobre o amor, sendo que afirmá-lo como coisa rara e preciosa é tanto uma retórica amorosa como afirmá-lo, com provocação qb, infindável como a parvoice - não só não acrescenta nada á vivência do amor como até tende a cristalizá-lo. a ideia mais perfeita de amor que eu consigo conceber é a da divisão celular, da multiplicação e da metamorfose genética. tudo o resto para mim é uma imensa produção ideológica para configurar essa inevitabilidade existencial que é em nós o sermos dádiva, com as conformações e configurações sociais onde estamos integrados. isto é o que eu penso. é por isso que eu acho que a tua ideia de amor é muito mais sedutora. e por exemplo, se no proximo s. valentim me lembrar de escrever algo num cartão para o meu amor, claro que irei plagiar-te a ti e não terei a falta de senso de deixar falar as minhas ideias. abç

sem-se-ver disse...

1º - qual? o nosso - o que sentimos - ou o do outro - que o sentia por nós?

2º - tendo a concordar que o amor, o verdadeiro amor, nunca acaba. por mim falo, que sou de ideias fixas e sentimentos perenes.

3º - mas contraditoriamente com o ponto imediatamente anterior, sei exactamente quando o amor acabou - quando deixo de gostar de ver ao longe a pessoa que amo. se enquanto a vejo assim, ao longe, parada ou a andar, para mim ou para fora de mim, o meu coração bate, fica quentinho e o meu corpo se torna um sol que me ilumina por dentro, é porque continuo a amar. é muito simples de aferir.

dorean paxorales disse...

Quando as pessoas mudam.

perante o riso geral disse...

Também gosto mais de pensar no momento em que o amor começou. Naquele momento em que se quis tanto dizer "meu amor". No momento em que quis dizer, e disse, "meu bem".

perante o riso geral disse...

Também gosto mais de pensar no momento em que o amor começou. Naquele momento em que se quis tanto dizer "meu amor". No momento em que quis dizer, e disse, "meu bem".

Aquela disse...

O Amor não acaba. Nunca. Há quem não tenha a sorte de amar, com Amor, uma vez sequer em toda a sua vida. Há que não tenha a sorte de, Amado, o Amem também. Há alguns, muito poucos, que amam e são amados, incondicional e eternamente. Há quem só sinta Amor pelos pais e/ou pelos filhos.

O que pode acabar - e acaba - são os amores, aqueles vários que nos vão acontecendo ao longo da vida. E é a esses que não temos coragem de confessar que nunca amamos, não por pena deles mas por pena de nós próprios porque sabemos (não me perguntem como) que o Amor não é aquilo. E é muito triste não amar e só jogar o jogo do amor.
Os amores acabam justamente quando se faz essa pergunta simples.

anauel disse...

Parece-me óbvio que o amor acaba quando esta pergunta aparece na equação. Resposta simples para um pergunta simples...

Dirty Harry disse...

Com tanta sorte, apetece-me perguntar

"do you feel lucky?"

anauel disse...

Bem, o termo óbvio foi demasiado violento... até porque o amor e o óbvio não se dão lá muito bem...

Anónimo disse...

Vou fazer copy paste desta entrada; um dia mais tarde poder-me-á ser útil.
Por enquanto faço outra pergunta a mim mesmo: "como se sabe se o amor começou?"

aquela disse...

dirty harry, não, nem por isso... talvez porque já tenha tido o make may day e o tenha perdido.

e sim, tb acho q o amor e o óbvio não se dão lá muito bem.

sweety disse...

não sei! ando num turbilhão de sentimentos em que tenho medo de deixar entrar algo que seja parecido com o amor. será que o amor acabou em mim? antes de começar? o que é o amor?

acto contínuo disse...

sweety, ainda recorrendo ao surrealismo:

— O que é o suplício de Tântalo?
— É uma luz muito íntima que me aquece à noite.

anita catársica disse...

sim!
O amor acaba.
Só não te sei dizer como se sabe que ele já não é o que era.
Ainda hoje amo o meu primeiro amor, mas não o posso ver á frente.
E também sei que não amo o meu amor da mesma forma todos os dias.
(e este não é o meu primeiro amor)
Mas também sei que "amor incondicional" só o dos pais pelos filhos.
Gosto de acreditar no amor para sempre mas a história da cinderela mete-me nojo.
O amor acaba e ás vezes volta, e para isso é preciso deixa-lo ir.
é como as andorinhas voltam sempre na primavera.
Sim o amor acaba! mas só cada um sabe isso. É como uma doença que em cada hospede tem um sintoma diferente.
sei que não ajuda.
mas eu continuo a acreditar no amor

dirty harry disse...

aquela... na realidade não estava a pensar no dirty harry. a minha mente vagueava por um livro "pontes de madison county". acabei de o ler num comboio, entreguei-o e gosto de imaginar que um dia o vou recuperar, ao contrário da história real.

sete e picos disse...

às vezes não sei se é o amor que acaba ou se é a paciencia ou a impossibilidade de partilhar a vida conjunta.

mas talvez se saiba quando acaba o amor quando se começa a estar demasiadas vezes tristes e irritada e quando surge a pergunta: poderia seria mais feliz se o/a deixasse? e o coração nos diz que sim.