22 janeiro 2007

Preocupação

Estes dias passando os olhos de relance pelas parangonas dos jornais soube que um famoso economista afirma que, caso seja legalizado, fazer um aborto vai ser tão normal como falar ao telemóvel e que um líder do PSD associa o aborto ao tráfico de droga. Frases sensacionalistas, que contrariam sem fundamento os estudos científicos realizados sobre esta matéria. Porque será que os jornais insistem em colocá-las nas primeiras páginas, dando-lhes um lugar de destaque não merecido e que não beneficia uma discussão séria sobre o assunto?

A mim o que me preocupa é, caso o SIM ganhe o referendo (oxalá, oxalá, oxalá), quanto tempo demorarão as mulheres a eliminar o sentimento da culpa e da clandestinidade do nosso inconsciente colectivo e a procurar os serviços de saúde de cabeça erguida?

6 comentários:

nove e tal disse...

é com muita preocupação que começo a ouvir nos mais diversos meios de comunicação que a vantagem do sim face ao não começa a diminuir. Em 1998 a 'batalha' estava dada como ganha e o resultado foi o q se viu, num volte-face altamente inesperado.

É muito verdade q notícias desse teor são altamente facciosas - a q mencionas no post - e para mim têm a leitura óbvia. outro dia vi na 1ª página de um conhecido tablóide (q não vou publicitar, era o q mais faltava) uma notícia sobre um estudo q relacionava a prática do ivg e doenças do foro psiquiátrico.

quanto à interrogação q levantas no fim, é muito pertinente. gostei da posta. é chegada a altura de nos mobilizarmos. pelo sim.

Ruiva disse...

Faço minhas as palavras da nove e tal!
Pode-se mudar um sistema político de um dia para o outro, já as mentalidades...

Anónimo disse...

ora o que isto estava mesmo, mesmo a precisar, era de um escandalozinho, do tipo tornar publico um aborto de um firme e notório apoiante, quanto mais firme e quanto mais notório melhor, sobretudo quanto mais notório melhor.

patsp disse...

A tua preocupação sobre o pós-referendo é natural. Ma eu ainda só consigo estar preocupada, e muito, com o caminho até ao dito. É tremenda a força óbvia e disfarçada de quem quer que o não ganhe, logo, que não quer confiar na liberdade/responsabilidade de cada didadã deste país...

manyfaces disse...

Muita gente votará no sim com um nó na garganta. O que mais querem é que não lhes agitem muito os fantasmas na cabeça. Sim, falo por mim. Perante estas atoardas fundamentalistas do lado do Não acho que a elevação é a atitude mais indicada do lado do Sim.
Este Pais de hiprocrisia de pacotilha teria feito um grande favor a todos nós se, à semelhança da Espanha, tivesse conseguido resolver o problema com esta lei. Se a tivesse conseguido pôr a funcionar. Esta lei foi vítima de continuado e sistemático boicote por Ministros e agentes de saúde vários, a começar pelos diversos Directores de serviço em Hospitais Públicos, que sendo objectores, o impuseram aos membros dos seus serviços (não explicitamente, claro...). O Ministro da saude vem agora dizer que vai garantir os meios que consigam operacionalizar a lei actual, mesmo que o Não ganhe. E então pergunta-se: porque não foi feito até agora? Porque se permitiu esta gigantesca cabala que impediu a aplicação da lei?
Vamos lá votar no Sim e acabar com esta triste história da lei do aborto. Os do Não que se calem com a treta das excomunhões e os do Sim que não respondam com a treta "da barriga é minha". Para os que votam Sim com reservas (como eu) isto está a ficar penoso e deprimente. Mais respeito por quem tem dúvidas. Nem todos fomos iluminados pelas certezas inabaláveis. E ainda bem...

8 e coisa 9 e tal disse...

outro dia ouvi também a associação que se faz do aborto com o risco de suicidio, o que vale é a ciência dá para tudo quando se quer.

para este referendo, a minha única certeza inabalável é que defendo a direito á escolha e é com essa que vou votar sim e tens razão nove e tal começa-me a assustar a possiblidade de um voltface, a ignorância tem muita força neste país de hipócritas de pacotilha, como diz o many face.

Mas verdade seja dita, para este referendo vejo muito mais gente mobilizada do que há 8 anos, o poder dos blogs também acho que ajuda a isso, vejo mais homens envolvidos e mais mulheres conscientes. Deus é pai e mãe, e o SIM vai ganhar. E como diria o Noddy, vai, vai, vai!