07 maio 2009

I hate to be right...

Hoje, depois de ler este post da rititi e os comentários, reparei que me tinha fixado particularmente neste excerto: "Trabalhar duas horas menos em nome de um filho que só é pequenino uma vez é sinónimo de desleixo profissional, pessoal e moral e isto, amigos, não o dizem só as entidades patronais, não, são as mulheres as que recriminam esta decisão pessoal como uma traição à causa da mulher perfeita, ao biquini, ao descobrimento da pílula, ao direito ao voto e ao aborto, ao Sex and the City e aos milhares de anos de luta de sexos. Claro." Sim, claro que é claro. E lembrei-me da cabra, agora revisitada em tantas chefas!
A conclusão é inevitável: "Passámos de exigir direitos de igualdade, paridade e o caneco à obrigação social de renunciar a eles. E isto, desculpem-me a franqueza, é a maior filha da putice que nos podia ter caído em cima."
Ora eu.. eu... pois, eu nunca quis, quanto mais exigir, "igualdade", "paridade" e o caneco!...

4 comentários:

sete e picos disse...

minha querida, a discriminação e a desigualdade existem de verdade, mais além do preconceito contra essas coisas aberrantes como o feminismo ou a igualdade de género.

Quando ás vezes faço formação em igualdade entre homens e mulheres, e pergunto o que entendem por feminismo ouço muitas vezes: umas malucas radicais que queimam soutiens. e se pergunto ás mulheres, alguma vez se sentiram discriminadas, são raras aquelas que respondem que sim. Ainda é dificil para muitas mulheres (e para muitos mais homens) reconhecerem a discriminação, quanto mais promover a igualdade.

8 e coisa 9 e tal disse...

Querida Sete,
Estava à tua espera! ;-)
Eu sei que há discriminação. E sei que há desigualdade. E sei que as há porque não há liberdade. Por isso a paridade ou as quotas, para mim, são insultuosas: o meu mérito é meu, não deriva de percentagens abstractas fixadas em decreto!

A verdadeira questão é que, sendo todos pessoas, não somos, de facto, todos iguais e, pior que tudo, não somos livres de escolher... Já disse e continuo a defender que isto não é uma questão de género mas uma questão de prioridades.
E neste admirável mundo novo - para onde fui atirada como sendo uma mulher fabulosa e que o devia conquistar de uma penada ao invés de ficar condenada no lar a ouvir os meus filhos crescer - a familia foi preterida pelo individuo.

O novo desenho do papel da mulher da sociedade, a sua suposta igualdade com os homens, a sua supotsa paridade e as novas concepções do "individuo" moderno esqueceram que ainda há filhos e há familias e que isso é natural e é preciso tomar conta deles. E que isso leva quase o tempo todo de uma vida útil... Hoje, os tempos não estão nada para isso e essa é, quanto a mim, uma das razões pelas quais os índices de falência do casamanto estão em quase 90%, se não estou em erro.

Só me queixo porque ninguém me perguntou se, em vez de ser escrava só em casa preferia ser escrava só no trabalho.
É que sem uma verdadeira liberdade de escolha por um meio caminho que seja digno, escrava por escrava, escolheria, sem dúvida, sê-la daqueles a quem amo e a quem faço muita mais falta que ao meu pc e aos índices de produtividade. E foram essas supostas igualdades toras que me tiraram das minhas filhas! E, claro, há ainda aquea coisa que se chama "necessidade de sobreviver economicamente em condições de dignidade".

Ou seja, eu sou mais uma das vítimas das novas desigualdades e da nova discriminação. E, se conseguir sobreviver até lá, um dia vou fazer a minha quota parte para que mães com quem trabalhe possam ter uma vida a que se possa chamar verdadeiramente vida!

deasy, diz a senhora do guichet. to dream is easy?...

sete e picos disse...

querida oito, não me parece que estas desigualdades que falamos aqui sejam novas, ao contrário, mantem-se apesar de tantas lutas e legislação em seu contrário.

A sociedade esquece que existe a familia(e aclaro que entendo familia num sentido lato, onde tambem cabem casados e não casados, progenitores do mesmo sexo ou de sexo diferente,etc), ou que as crianças precisam de atenção e carinho personalizado e não só institucionalizado, mas isto não tem só a ver com a entrada das mulheres ao mundo do trabalho produtivo, as mudanças nos roles das mulheres só vieram visibilizar algo muito mais antigo, a escravidão em que vivemos 90% da população mundial seres productivos cada vez com menos direitos, ao serviço dos 10% que detêm o poder económico, social e político.

Já Nietche dizia que é que escrava toda a pessoa que não dispõe de 2/3 do seu tempo, e aqui não há ninguém que escape á escravidão da produção do mundo moderno, mesmo sem as 65 horas de trabalho que há pouco tempo queriam aprovar na comissão europeia.

Mas é também um facto verificado, estudo e comprovado que as mulheres t~em a vida ainda mais complicado e acumulam ainda mais trabalho que os homens, pois para além do trabalho fora de casa têm ainda a responsabilidade do trabalho em casa. Por isso, desejo sinceramente que quando sejas chefa que possas também contribuir para que mães e também os pais com os quais trabalhes, possam ter direito a uma vida que seja vida verdadeiramente, com um tempo de trabalho justo e com tempo para a família e para si próprios/as.

A liberdade não existe, constrói-se, dia a dia, século a século, mas eu por mim fico contente por não ter nascido numa época em só por ter nascido mulher tinha de ficar toda a vida a cuidar da casa, dos filhos e do marido. Ou que por nascer homem tinha de ser necessariamente o responsável económico da familia sem direito a poder participar e desfrutar do crescimento dos filhos. Apesar de todos os pesares, já muita coisa mudou e talvez quando os nosso filhos e filhas cheguem à idade de trabalhar tenhamos conseguido abolir a escravidão do mundo moderno.

PS: a lei de quotas fica para outra altura, que isso dá pano p'a mangas

Alba disse...

No meu 8º ano era de leitura obrigatória os "Contos Exemplares" da Sophia, e lá existe um conto chamado Mónica, que me marcou. Penso que começa: "Mónica era uma mulher extraordinária(...)". Essa Mónica fazia múltiplas coisas, entre levar os miúdos à escola, receber amigos e aprender a pintar. Na altura, a ingénua que eu era, também queria ser um pouco como aquela Mónica. A minha melhor amiga, achou que a Mónica era uma fraude e que nenhuma mulher podia ser assim. E essa diferença, foi de uma pedagogia, para a vida.

Felizmente que tenho uma profissão onde posso escolher dividir o meu tempo, e durante os 2 primeiros anos do meu filho, não trabalhava um dia por semana. Tenho ainda a sorte de trabalhar numa instituição, em que sendo a maioria mulheres, várias também tinham tomado esta opção. E onde não temos nenhuma chefe cabra, mas temos pelo menos um colega, sempre a chatear, de que deviamos fazer mais isto e mais aquilo, para termos "visibilidade (n)ão para fazermos melhor.
Eu só quero ter a certeza de que o que lá faço é bem feito, e que depois, mesmo ao fim de um dia como hoje, eu, que só me apetecia gritar (palavrões), consegui pegar nos miúdos a horas de ainda irem brincar ao parque!
PS: Já fui buscar o livro, mas não tive coragem de revisitar a minha "Mónica".

A verificação diz GROW(L)ING...