30 abril 2007
Procura-se
Precari@s de todo o mundo UNI-VOS
Rebaja, saldo, sale
29 abril 2007
Laugh Out Loud
28 abril 2007
Officium*
Anos mais tarde, já com o catálogo da ECM e respectivos músicos bem conhecidos e interiorizados - sai o álbum 'Officium' (1994), uma colaboração entre Jan Garbarek e os Hilliard Ensemble - quarteto de música de câmara. Apaixonei-me por este álbum e pelo cruzamento entre dois estilos tão distintos. Até hoje. Não me canso de ouvir e de tornar a ouvir.
Em baixo, o 1º tema do ábum - Parce mihi domine (a partir do Officcium defunctorum de Christóbal de Morales (1500-1553).
*Este post e respectiva música é para a sem-se-ver, em retribuição a uma cortesia sua e a propósito de uma afirmação de suposto 'purismo' musical minha, em casa dela. Afinal não era assim tão verdade... É só vasculhar um bocadinho no baú das memórias.
Enjoy!
Sexo por obrigação consentido
Sexo por obrigação
Um dia do caraças!
Adiante. A senhora que finalmente nos atendeu, não obstante a fila enorme de pessoas que a cercava, já de boca ao lado e quase a babarem-se de exaustão, estava com um humor óptimo, rindo-se de tudo e de nada. As palavras, num tom alegre e descontraído, saíam-lhe em catadupa, sobre a colega que não estacionava o carro na garagem e que preferia pagar parquímetro, essa era a loira burra, sobre a jovem africana que trocou os papéis todos e que apareceu de repente toda atrapalhada na mesa ao nosso lado, essa era a cabeça de alho chocho, já nós, por outro lado, parecia que lhe falávamos em paquistanês porque demorou quase dez minutos para perceber qual era o nosso problema e porque é que estávamos ali. Problema esclarecido, expirou então um valente suspiro que nos fez compreender o porquê da lentidão do seu pensamento, estava muito cansada, confessou ela, ainda bem que no outro dia iria ser feriado.
De novo no carro a caminho das Finanças. Tínhamos saído de casa ao meio-dia, eram agora três da tarde. Um cúbiculo de quatro metros quadrados a servir de sala de espera para algumas dezenas de pessoas, a maior parte do lado de fora da porta, desesperadamente a tentarem esticar os pescoços para conseguirem ver o painel electrónico com os números das senhas, estratégica e brilhantemente, diga-se, colocado num canto do interior da repartição, onde só quem estava já ao balcão a ser atendido teria um acesso visual perfeito. Ainda assim, menos tempo de espera desta vez. Só um mísero copito de Sumol ali no café da berma da estrada e uma passeata pelas montras do comércio do bairro. Lá chamaram o bendito número. Demorava menos tempo a ler a extensiva descrição da caminhada de cada um dos cavaleiros da távola redonda, pensei eu. Entrei para a gaiola dos infernos e sentei-me num lugar livre ao lado duma senhora que ocupava ainda metade do meu banco para além do dela e que tinha o poder extraordinário de conseguir revirar os olhos tal qual um camaleão de cada vez que entrava uma pessoa nova pela porta, examinando tudo em cada uma delas, desde o penteado, à roupa, às unhas das mãos e posso jurar que até a cor das peúgas de um senhor, pela forma como rodou a cabeça. Contas feitas e depois de conseguir fugir daquele bafo quente onde as bactérias quase eram vísiveis a olho nú, até que foi um dia produtivo. Sobretudo, depois de chegarmos ao carro e sermos presenteados com uma multa de estacionamento proibido: tínhamo-nos esquecido de pagar o parquímetro. Nunca gostei tanto de ver o meu sofá ao chegar a casa.
Isto, meus amigos, não é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas e/ou factos reais não é coincidência.
27 abril 2007
The Fallow Way
I'll learn to love the fallow way
When winter draws the valley down
And stills the rivers in their storm
And freezes all the little brooks
Time when our steps slow to the song
Of falling flakes and crackling flames
When silver stars are high and still
Deep in the velvet of the night sky.
The crystal time the silence times
I'll learn to love their quietness
While deep beneath the glistening snow
The black earth dreams of violets
I'll learn to love the fallow way.
I'll learn to love the fallow way
When all my colors fade to white
And flying birds fold back their wings
Upon my anxious wonderings
The sun has slanted all her rays
Across the vast and harvest plains
My memories mingle in the dawn
I dream a joyful vagabonds.
The crystal times the silence times
I'll learn to love their quietness
When deep beneath the glistening snow
The black earth dreams in of violets
I'll learn to love the fallow times.
No drummer comes across the plains
To tell of triumph or of pain
No word far off battle's cry
To draw me out or draw me nigh
I'll learn to love the fallow way.
I'll learn to love the fallow way
And gather in the patient fruits
And after autumns blaze and burn
I'll know the full still, deep roots
That nothing seem to know or need.
That crack the ice in frozen ponds
And slumbering in winter's folds
Have dreams of green and blue and gold
I'll learn to love the fallow way
And listening for blossoming
Of my own heart once more in spring.
As sure as time, as sure as snow
As sure as moonlight, wind and stars
The fallow time will fall away
The sun will bring an April day
And I will yield to Summer's way.
Juddy Collins, The Fallow Way.
Para o meu pai, no dia em que faria 84 anos.
26 abril 2007
eu confesso
Carta Aberta
Apoio-te e, perdoa-me a ousadia de me imiscuir em questões de Estado, vou mesmo mais longe! Se é absolutamente indiscutível que o 25 do A (uma vez que fica mal pronunciar o mês em simultâneo com o dia) nada diz às nossas camadas mais novas, é também inegável que o golpe levado a cabo por um grupo de malfazejos conjurados a 1 de Dezembro de 1600 e troca-o-passo faz ricochete nas mentes dos nossos concidadãos. Da mesma forma, a ressabiada revolta anti-monárquica que permitiu a alguns ilustres ocuparem o cargo de PR's no último século (cargo que,e bem, dignificas) é uma perfeita desconhecida. Posso ainda sugerir que o 1º de Maio se trata de uma lamentável festa em tons de vermelho que nenhuma alusão desperta nos nossos contemporâneos. Isto para me ficar, claro está, pelas datas políticas. O que te proponho é uma profunda reviravolta no nosso calendário, o que, de resto, vai de encontro a uma ideia por ti há muito preconizada: a de eliminar algumas datas comemorativas que apenas servem para a malta operária se passear pelas catedrais do consumo sem reflectir convictamente no significado de que as mesmas se revestem.
Mantenha-se, contudo, o Dia da Raça, aquele em que o português se junta em torno da sardinha assada, ao mesmo tempo que recita "Amor é fogo que arde sem se ver" (aquele que todos conhecem) e que dança ao ritmo das marchas de Lisboa em pracetas engalanadas por balões de muitas cores, enebriados pelo travo do vinho tinto e pelo odor a manjerico.
Aí sim, podemos todos manifestar aquilo que somos e o que fizemos: um povo envergonhado por ter erguido uma democracia, desejoso, como manifestou em referendo, de voltar a ter um "big brother" que lhe diga por onde ir e o que fazer e que não fez absolutamente nada de há 33 anos a esta parte.
De nada adianta dares ouvidos a reaças que dizem ser preferível repensar e reestruturar os programas educativos. Qual quê! A malta nova, bem se sabe, não estuda e não podemos contrariá-la a não ser que ela se reúna à porta de um certo edifício na António Maria Cardoso.
Em próxima missiva lançarei profíquas ideias para reestruturar o calendário católico. É que esta história dos rituais já chateia há mais de dois séculos!
Respeitosamente, tua
Múltipla
Auguries of innocence
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour.
(...)
Every night and every morn
Some to misery are born,
Every morn and every night
Some are born to sweet delight.
Some are born to sweet delight,
Some are born to endless night.
We are led to believe a lie
When we see not thro' the eye,
Which was born in a night to perish in a night,
When the soul slept in beams of light.
W. Blake
25 abril 2007
Primeira comunhão no mundo do sado-masoquismo
25 de Abril Sempre
Notícias
24 abril 2007
Cenas da vida conjugal (III) - descubra o diálogo
23 abril 2007
A física aos seis anos, mesmo antes de ir para a cama
Histórias de estradas (II)
- WELCOME TO HELL!!!
Uma longa fila de bancos altos em frente ao balcão está toda ocupada (à excepção de dois lugares à esquerda) por indivíduos que chupam cigarros (estranho, a lei anti-tabaco está mais que promulgada e em vigor aqui nos U.S. of A., penso eu) roem palitos, bebem cerveja e - sobretudo - olham para a nossa lenta caminhada. Todos eles vestem calças de ganga, têm chapéus de cowboy e trazem um sorriso irónico no rosto, observando-nos. Os 'gringos' são eles, não sei o que seremos nós para eles, não temos ar de 'chicanos' (isso já eu tive oportunidade de perceber que não associam o nosso fenótipo aos mexicanos). Passamos por uma área de mesas, onde se sentam mulheres de ar atrevido, entretidas a falar com outros homens, em conversas que adivinho pouco ingénuas.
Chegamos ao balcão, fazendo uma diagonal que nos leva aos dois únicos lugares vazios. Sentamo-nos. O empregado, de copo e de toalha na mão - fingindo que o seca - pergunta-nos o que queremos. Olhamos para a direita e temos toda uma fila de cowboys de olhos postos em nós. Olho para o M. e ele anui com um piscar de olhos. Peço então:
- Duas cervejas, por favor. E uma rodada aqui para os senhores do balcão. É por nossa conta.
Faz-se algum silêncio, o empregado tira duas canecas e enche-as, enquanto nos olha de soslaio. There you are, pousando as cervejas. Começa a servir aqueles que já têm as canecas vazias. Já mais confortável (não tenho colarinho, mas se tivesse desapertava-o), dou um longo golo na cerveja. O silêncio é, então, quebrado pelo cowboy que se senta ao nosso lado, o mesmo que nos saudou assim que franqueámos a porta do bar:
- So, where are you guys from?
Ui, lá vem a pergunta difícil. Considerações à parte em relação aos conhecimentos geográficos dos norte-americanos, decidimos pela resposta mais eficaz: We're from Portugal, next to Spain, Europe. Empurra o chapéu para trás, e troca o palito de um lado para o outro da boca. Estende-nos a mão e diz:
- Nice to meet you, pals. My name is Mule Skinner. And yours?
Dou mais um golo valente na cerveja, tentando perceber o que é aquilo quer efectivamente dizer. Mas o tipo até é simpático e começa-nos a contar uma das histórias mais inverosímeis que alguma vez ouvi: mudou-se com a sua 'companhia' de teatro para o Arizona e ganham a vida a simular tiroteios do velho farwest no próprio do farwest para os turistas que ali passam. Fazem vários espectáculos por dia, que nos relata pormenorizadamente. O Mule Skinner - o seu nome artístico - é um dos dois cowboys que está presente no tiroteio final, naquilo a que aqui chamaríamos de mano-a-mano. Infelizmente, é ele invariavelmente o que morre. O espectáculo acaba com Mule Skinner já dentro do caixão. Olho para ele e, já turvada pela terceira caneca de cerveja, penso que gostaria que - nem que por uma vez, uma só vez - fosse ele o sobrevivente...
Os olhares há muito que se desviaram de nós, deixámos de constituir matéria de interesse e/ou atenção. Mule Skinner pergunta-nos onde vamos pernoitar. M. diz que estávamos a pensar dormir no carro na berma da estrada, the road is long e amanhã temos muitas milhas para fazer. 'Bom, eu se estivesse no vosso lugar não arriscaria. Com a chuva que caiu, todas essas pequenas criaturas mortíferas - escorpiões, lacraus e SÓ a cobra mais venenosa do planeta (a mojave green) saíram das suas tocas, aproveitando this moisty environment. Entram-vos pela parte de parte de baixo do carro e a primeira dentada/picada é letal. Ainda por cima aqui, in this back of beyond. Eu não arriscava'.
Despedimo-nos de Mule Skinner, já emocionado com a partida dos seus mais dois recentes amigos europeus (ou das beers, talvez). Acenamos aos demais, que nos levantam a ponta do chapéu. Faço o mesmo movimento com as mãos na porta que fiz para entrar, empurrando-as no sentido oposto.
Cenas da vida conjugal (II)
22 abril 2007
Lisboa vista da minha cerveja
Uma tarde de primavera. A preguiça a pairar. Os jornais já lidos. A atenção fixada naqueles que passavam. As cervejas a anunciarem a 'saison' do caracol. Uma já - quase - sociedade perfeita. Pelo menos a tarde assim o foi.
aos utentes
Carta aos meus netos*
Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
P'ra me poder aquecer
Na mão de qualquer menino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
P'ra tudo o que eu sou caber
Na mão de qualquer de vós
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Tudo em mim se pode erguer
Quando me pisam não grito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
O que lá estou a fazer
Só se nota quando falto
Quando eu for grande quero ser
Ponte de uma a outra margem
Para unir sem escolher
E servir só de passagem
Quando eu for grande quero ser
Como o rio dessa ponte
Nunca parar de correr
Sem nunca esquecer a fonte
Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
Quando eu for grande...
Quando eu for grande...
Quando eu for grande quero ter
O tamanho que não tenho
P'ra nunca deixar de ser
Do meu exacto tamanho
* letra de Manuela de Freitas para música de José Mário Branco
O prometido é devido
Uns posts abaixo, prometi uma música a uma querida múltipla. Aqui vai ela.
Someday my prince will come.
(com a glamourosa Rita Hayworth - inspirada em ti - e Fred Astaire, o parceiro ideal para se dançar!).
Luv' ya ... :)
20 abril 2007
Histórias de estradas (I)
Se não fosse o ar condicionado do carro já tinha derretido de certeza. Aliás, tudo parece liquefazer por aqui: os cactos gigantes em forma de tridente, as joshua trees (a única vegetação que tenho visto) as pedras, os abutres, os sinais de trânsito, tudo. O ar, ao fundo, assemelha-se a uma massa espessa e turva. Quase que jurava que podia chegar lá com uma colher, tirar um bocado e comer. Não estou dentro de um quadro de Dali, mas não devo andar muito longe.
Estou cansada, apetece-me enfiar qualquer coisa fresca pela goela abaixo e esticar as pernas, já passei a fase da fome. Quebro o silêncio e proponho ao M. uma paragem para beber a dita, não importa onde, o primeiro sítio que encontrarmos. Estou farta da paisagem cromatico-monótona do deserto, do ar hipocritamente fresco da ‘gaiola’ que nos desloca de um lado para o outro a não-sei-quantas-miles-per-hour (não esquecendo as vantagens das mudanças automáticas). Fizemos uma grande tirada hoje e amanhã temos de chegar a Los Angeles. Depois, começar a subir a A1 em direcção a San Francisco (não sei porquê, tenho cá uma fezada por esta cidade). Não faço ideia onde vamos dormir, eu e o M., como estamos amuados desde ontem, não conversámos pelo caminho: mais de 500 km autistas, tomar decisões não está fácil. Por mim, terminava o dia aqui, bebia a tal fresca, reclinava os bancos para trás and end of story.
Vejo umas luzes a piscar ao fundo, as neon lights às quais já me habituei por estas bandas. Ou é motel ou é bar (ou então as duas coisas, melhor ainda). Hum, não me parece motel, não diz vacancies. Será um daqueles dinners de estrada? Também serve, gosto da mística dos dinner- in-the-middle-of-nowhere (parece que estou no meio de um videoclip do Tom Waits, menos mal): tudo e todos de passagem, o café servido directamente da cafeteira para a mug, menus de elevado teor calórico, autênticas bomba de colesterol.
Arriscamos, saímos do carro, levamos com o bafo quente do deserto que nos bate no rosto com a força de uma chapada e aproximamo-nos do edifício: afinal sempre é bar. Vejo umas portas de madeira a 2/4, daquelas que têm gonzos e que têm que ser empurradas para dentro. Percebo, então, que – caraças - estou mesmo no farwest: é um saloon! [Bem-feita, não era eu que queria ter experiências novas e verdadeiras? The real thing?] Respiro fundo, empurro as duas portas com as duas mãos e ouço – vindo de dentro do saloon– a mais insólita saudação de sempre:
- WELCOME TO HELL!!!
[Continua]
19 abril 2007
Eu tenho dois amores
O mais recente chama-se Mozilla Firefox.
Vão aqui e façam o download (a vossa vidinha vai mudar e MUITO!).
18 abril 2007
Humor negro
- Não pá, chegou uma altura em que tive de decidir, ou pulmão ou fígado.
- Foste pelo fígado
- Sim, pelo menos há transplantes
Je suis snob*
C'est vraiment l'seul défaut que j'gobe
Ça demande des mois d'turbin
C'est une vie de galérien
Mais lorsque je sors à son bras
Je suis fier du résultat
J'suis snob... Foutrement snob
Tous mes amis le sont
On est snobs et c'est bon.
Chemises d'organdi, chaussures de zébu
Cravate d'Italie et méchant complet vermoulu
Un rubis au doigt... de pied, pas çui-là
Les ongles tout noirs et un tres joli p'tit mouchoir
J'vais au cinéma voir des films suédois
Et j'entre au bistro pour boire du whisky à gogo
J'ai pas mal au foie, personne fait plus ça
J'ai un ulcère, c'est moins banal et plus cher.
J'suis snob... J'suis snob
J'm'appelle Patrick, mais on dit Bob
Je fais du ch'val tous les matins
Car j'ador' l'odeur du crottin
Je ne fréquente que des baronnes
Aux noms comme des trombones
J'suis snob... Excessivement snob
Et quand j'parle d'amour
C'est tout nu dans la cour.
On se réunit avec les amis
Tous les vendredis, pour faire des snobisme-parties
Il y a du coca, on deteste ça
Et du camembert qu'on mange à la petite cuiller
Mon appartement est vraiment charmant
J'me chauffe au diamant, on n'peut rien rêver d'plus fumant
J'avais la télé, mais ça m'ennuyait
Je l'ai r'tournée... d'l'aut' côté c'est passionnant.
J'suis snob... J'suis snob
J'suis ravagé par ce microbe
J'ai des accidents en Jaguar
Je passe le mois d'août au plumard
C'est dans les p'tits détails comme ça
Que l'on est snob ou pas
J'suis snob... Encor plus snob que tout à l'heure
Et quand je serai mort
J'veux un suaire de chez Dior!
Boris Vian, 1954.
(aqui fica a versão integral, sem imagem. Helàs!).
Prémios de consolação
Tell me the truth about love
What happened to Ensemble JER?
Hoje, ao passar por aqui e depois de visionado isto, lembrei-me do Ensemble JER, dirigido por José Eduardo Rocha. Música 'séria' tocada em instrumentos de plástico, cada espectáculo é uma experiência musical imperdível.
Conheci-os algures nos anos 90, onde os vi pela primeira vez numa saudosa sala de Lisboa (que a Câmara Municipal de Lisboa literalmente 'abandonou'): vi, na altura, Volkswagner, um "divertimento cénico-musical", a partir de uma ópera de Wagner e de textos de Nietzsche, extraídos de 'O Caso Wagner' (1888). Fui acompanhando esta formação e vendo outros espectáculos aqui e ali. O curriculum deste grupo é impressionante e podem ver o seu vasto repertório aqui.
Na página que consultei, ainda não há espectáculos agendados para este ano. Por isso, aguardamos o seu breve regresso.
Longa vida para o Ensemble JER!
17 abril 2007
O cúmulo da indisponibilidade*
*baseado numa história verídica.
Da influência dos sonhos no estado muscular matinal
16 abril 2007
Abril, cravos mil*
* foto e título indecentemente colhidos no Câmara Clara, que - ao que parece - vai dedicar o mês de Abril aos 'cravos'. Tão esquecidas parecem estas flores, nos dias que correm...
Violência? Não, obrigada.
Ouvi então, há algumas semanas, que quem for vítima de uma qualquer agressão física e necessitar de tratamento hospitalar tem de acarretar com todas as despesas que a mesma (a agressão) ditar. No entanto só terá de o fazer se o agressor não for um rapaz gentil e, dessa feita, não aceitar ser ele a suportar a despesa. É sempre reconfortante saber...
Assim, se nos dermos conta de que algum gandulo pretende, por qualquer razão, agredir-nos, é sempre conveniente perguntarmos-lhe acerca das suas intenções:"O senhor pretende pagar a factura ou vai obrigar-me a isso? "Ah!, não tem guito... Então bata devagarinho, se faz favor!".
o nosso mundo e o dos outros
A semana passada na revista Sábado. Uma reportagem sobre o poderio assustador da Santa Aliança no Vaticano faz-nos saber que por mais achados arqueológicos que se façam, nenhuma verdade sairá jamais cá para fora.
O amor e o querer
Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
15 abril 2007
Taxímetro
V- Tristeza
14 abril 2007
E o bigode?! Esqueceu-se de referir o bigode!!
Livro de reclamações
Venho aqui expressar a minha solene irritação por esta nova versão do blogger-of-fame (como alguém, com graça, o apelidou). Passo a explicar: era mais ou menos inevitável o switching deste blogue para a nova versão. E assim foi feito. Agora, que os nicks que servem as várias múltiplas desta casa tenham que passar pelo mesmo processo é coisa que já me transcende.
Voltando atrás, passei uma semana a tentar dar pio ao meu nick, que esteve mudo por causa de uma 'manha' deste novo blogger. Sempre que fazia o login como 'old blogger', dizia-me que a palavra-passe estava incorrecta e, por isso, não conseguia postar nenhum comentário. Ora, eu tinha bem presente que não estava esquecida da senha. Depois de ínumeras tentativas comecei a pensar: 'aqui há marosca'. Entrei, então, na conta (afinal a senha não estava errada) e percebi que para poder continuar a postar com aquele nick, tinha que o indexar a uma conta do gmail. Mas porquê???
Contrafeita, lá criei eu a #$%&$ do novo mail e fiz os restantes procedimentos. Resultado: tenho mais uma conta no gmail, absolutamente inútil e por mero capricho do blogger (porque se utilizasse a já existente, ele fundir-me-ia os blogues que tenho na mesma conta, e isso é toda uma outra história e trabalheira).
Está mal, está errado e estou farta deste programa (leia-se blogger), que mesmo na sua versão alfa dá erros constantemente, e já me fez desaparecer textos inteiros.
Onde é que está o livro de reclamações?
13 abril 2007
Está-se sempre a aprender...
*bookcrossingn - the practice of leaving a book in a public place to be picked up and read by others, who then do likewise. (added to the Concise Oxford English Dictionary in August 2004).
E se for apenas uma forte desconfiança, pode-se?
12 abril 2007
Costas largas
A garrafa de água
11 abril 2007
Dúvida
10 abril 2007
Deja Vu
IV - A Esperança
09 abril 2007
Nunca nada
O pão não terá a textura desejada, as migalhas que dele cairão não servirão sequer para atirar aos pássaros.
O frio habitará sempre aquelas paragens e o calor queimará quando o frio faltar.
08 abril 2007
III - Estagnação
07 abril 2007
05 abril 2007
No meu bairro (I)
- O café da brasileira friorenta, cuja barriga vai aumentanto, numa gravidez já mais que anunciada, sintonizando e olhando para o écran, tristemente, o canal GNT, a ver se resgata algum calor e notícias da sua terra. A literatura espalhada por cima das mesas é péssima: correio da manhã, maria e quejandos, um ou outro jornal desportivo, muita imprensa cor-de-rosa. E os piores croquetes do mundo. A sistemática falta de trocos dissuadiu-me de vez de lá voltar. Preciso de cigarros como de pão para a boca e logo de manhã. Continuo a passar pela rua e lá vou acenando adeuses e sorrisos à menina da barriga cada vez mais proeminente.
- Um café que também serve almoços e jantares, mas cuja porta fecha à tarde. Para beber café é preciso bater à dita. O dono - que serve a clientela de óculos escuros - espreita pelo postigo e lá se decide a abrir o tasco. Às vezes, parece-me que estou no meio de um episódio dos 'Sopranos', a avaliar pelas criaturas que por ali pairam. Também nunca tem trocos para os cigarros.
- O café dos octogenários do bairro. E da presidente da junta de freguesia, que bebe sumol e engole rissois e sanduiches de queijo à hora do almoço. 'Olha a nossa 'chefa', dizem os habitués assim que ela entra.
Depois de pacientemente testados, a minha opção foi para o último café, sobretudo pelas milhentas histórias que ali ouço quotidianamente. O café não é nada de especial, mas gosto de ver as mesmas pessoas e as caras que já reconheço - e que já me reconhecem - e com quem troco bons-dias. A dona, de idade indefinida, é gentil e isso somou pontos extra. E tem sempre os cigarros que quero, sem necessidade de máquinas e de trocos intermediadores.
Outro dia fui interpelada pela minha cara-metade: 'Querida, porque não vais aquele café ali ao pé da avenida? É um bocado mais longe, mas o ambiente é simpático'. Já por lá passei e era incapaz de o transformar na minha catedral onde emborco a minha primeira dose de cafeína. Aquele sítio de arquitectura e design impecáveis não são para mim, parece uma redoma deslocada da vida como ela é. Incaraterístico. Prefiro o café dos octogenários, onde as pessoas são pessoas-pessoas e onde se respiram vidas autênticas. Quanto aos cafés fashion deixo-os para outros: aqueles que estão preocupados em serem pessoas-que-não-elas-próprias, como se aqueles lugares lhes pudessem conferir histórias e estatuto que não lhes pertencem. Mas a sério, a sério, e considerações à parte, o que eu tenho mesmo é um fascínio por espeluncas...
E o sol brilhará para tod@s nós
04 abril 2007
Capacidade de auto-crítica
Há gente que não tem noção.
que título hei-de dar a esta merda?
Ninguém pode negar que o utilizamos para múltiplas circunstâncias, relacionadas com muitíssimas coisas. Por exemplo:
Orientação geográfica: Vai à merda!
Adjectivo qualificativo: Tu és uma merda!
Momento de cepticismo: Não acredito nesta merda !!!
Desejo de vingança: Vou fazê-lo em merda !!!
Acidente: Já fizeste merda !
Efeito visual: Não se vê merda nenhuma !!!
Sensação olfactiva: Cheira a merda...
Dúvida na despedida: Por que não vais à merda ?
Especulação de conhecimento: Que merda será isto ?
Momento de surpresa: Oh, merda !!!
Sensação degustativa: Isto sabe a merda !
Desejo de ânimo: Rápido com essa merda !!!
Situação de desordem: Isto está uma merda !!!
Rejeição, despeito: O que é que esse merdas pensa ?
Para descobrir o paradeiro de qualquer coisa: Não sei onde foi parar aquela merda...
Interjeição comum: Que merda !!!
Crise das 17h30: Vou-me embora desta merda !!!"
Há coisas que não precisam de título...
" A joke is a very serious thing."(Winston Churchill)