19 junho 2006

O Jardim das Magnólias


Uma vez, há já bastantes anos, fui ver uma peça do Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos e ouvi um dos actores/pacientes dizer uma frase que nunca me saiu da cabeça:

“A minha mãe levou-me a tantos sítios, tantos sítios, que nunca mais de cá saí...”

3 comentários:

no baile da D. Ester disse...

os doentes mentais sabem coisas que nós não sabemos. Vêem coisas que nós não vemos. às vezes tenho um bocadinho de inveja.

Como aquele que dizia que não se entendem as mulheres porque têm os fios cruzados.

-pirata-vermelho- disse...

Pois...
numa dessas sessões, em que no fim houve um daqueles 'debates', a plateia foi convidada a interpelar os 'actores' e os pastores do rebanho, que também lá estavam. Uns pensantes começaram a pôr umas questões muito pausado-ponderadas e eu... fui ficando (a ficar mais enfastiado com o que pensei ser um daqueles pseudo interesses e-depois-vamos-beber-umas-cervijinhas e 'já passou') até que aquilo acabou, depois de altíssimas divagações que foram do retórico ao técnico-teatral com muita 'análese' à mistura.
Levantei-me para me pisgar, eu e a meia dúzia de pessoas que tinham ido comigo e fomos saindo... e connosco sairam mais uns cinco ou seis; dez, no máximo - formidável surpresa! todo o resto da sala eram clientes da casa. Hóspedes, internos; isso mesmo!
Notável é que não pareciam, as intervenções eram típicas, na forma, de um qualquer centro-nacional-de-cultura (passe a aleivosia) .
São experiências latamente perturbadoras! Mesmo para leigo do momento.
Ficou-me (também nunca mais esqueci) um coro de 4 ou 5 'profundos' que, à ordem, recitavam em tom monocórdico uma ladaínha coreografada... é outro mundo. De onde nunca mais se sai; muitas vezes vá-se lá saber porquê!

É outro mundo

8 e coisa 9 e tal disse...

pois é por vezes a pseudo intelectualice confunde-se com a loucura, a fronteira é ténue, pelo menos na forma..